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quinta-feira, 14 de maio de 2026

França x EUA: Guerra da Codeína de 1927

  

 22 anos os EUA colaboravam com a China para reprimir tudo quanto é droga. Quando a França exportou uma remessa de xarope anti-tosse contendo codeína que a alfândega agarrou em Nova York, seu governo quis dar o troco.

Do nada, surgiu a notícia de 9 de setembro de que a França havia imposto uma tarifa de 400% sobre todo um leque de exportações americanas que já estavam a caminho da França. A notícia da apreensão do carregamento de xarope para tosse vazou num pequeno jornal(link) enquanto a Liga das Nações realizava uma de suas convenções antidrogas em Genebra, na Suíça. Infiltrados americanos estavam pressionando para que controles internacionais explícitos de exportação e importação fossem aplicados à codeína — um produto derivado da morfina, semelhante à heroína, para o qual os Estados Unidos passaram a migrar após proibirem a fabricação da heroína original. Por causa dessas restrições, muitas empresas farmacêuticas europeias haviam optado por produzir codeína, devido ao tratamento regulatório mais permissivo que esse novo derivado da morfina recebia.


Autoridades francesas negaram qualquer ligação entre a recusa dos EUA em conceder à França um empréstimo de refinanciamento — refinanciamento do pagamento francês de empréstimos contraídos para financiar a Primeira Guerra Mundial — e o súbito aumento das tarifas alfandegárias francesas. Autoridades britânicas também tentavam, desde o armistício, condicionar o pagamento de empréstimos americanos ao pagamento, pela Alemanha, das reparações de guerra à Grã-Bretanha, conforme estipulado no Tratado de Versalhes, mas o presidente Coolidge rejeitou o argumento. Como vimos, as empresas farmacêuticas europeias vendiam, há cerca de um século, medicamentos em todo o mundo e ressentiam-se da interferência belicosa dos Estados Unidos no comércio honesto. Mas os republicanos — tradicionalmente impopulares entre os agricultores americanos — conquistaram as Filipinas, uma porta aberta para o envio de cereais à China. A China, desesperada para excluir drogas estrangeiras de um mercado que seu novo governo não tinha como senão monopolizar, buscou, com a ajuda dos Estados Unidos, proteger sua indústria nacional de ópio da concorrência estrangeira. A França e outras nações também se irritaram com as barreiras comerciais "sanitárias" dos Estados Unidos. Até mesmo o Panamá, incomodado com o fato de a Zona do Canal ter se transformado em um enorme esquema de busca, apreensão e confisco, questionou se aquilo constituía soberania legítima. Mas os EUA tinham assuntos mais importantes para tratar e agentes já posicionados para influenciar na Liga das Nações.

Agente bastante incomum era Rockefeller Jr., cotista de um vasto império de açúcar de milho glicosado que fornecia a matéria-prima para mais de 95% de todo o álcool consumido nos Estados Unidos. A usina de açúcar Argo, perto de Cicero, é até hoje a maior fábrica de alimentos do mundo. Ao sul de Chicago, já na divisa com o estado de Indiana, a usina American Maize abastecia a região que outrora fora enriquecida pela destilaria Hammond, em Indiana. Agentes federais agora cercavam essas e outras usinas de açúcar glicosado e interrogavam Ralph Capone, irmão de Al Capone, sobre sua declaração de imposto de renda. Rockefeller calculou que seria prudente buscar o favor do governo doando alguns milhões de dólares para a Liga das Nações, que enfrentava dificuldades financeiras — coisa que Andrew Carnegie vinha fazendo há décadas. (link)

A outra ponta do cerco que o Comandante-mor e presidente Coolidge estava fechando em torno da França seria a primeira conferência da Legião Americana fora dos EUA, que seria realizada em Paris. Enquanto Genebra se enchia de ativistas da proibição que se apresentavam como pacifistas, Paris começava a ficar superlotada com a chegada dos mesmos soldados e oficiais que, nove anos antes, haviam imobilizado os alemães em suas trincheiras com bombardeios que incluíam lewisita, cloro, gás mostarda e ogivas explosivas. As autoridades francesas escolheram o momento errado para pressionar o Tio Sam a deixar a codeína passar pela alfândega. Nove dias depois da "guerra comercial tarifária" aparecer nas manchetes, Paris se via cercada e ocupada por veteranos embriagados, ansiosos para apoiar o Presidente Coolidge e fazer a América receber novamente! As manchetes berravam: DISCURSOS INSPIRADORES DE FOCH E PERSHING NA SESSÃO DA LEGIÃO — O SALÃO DE CONVENÇÕES ECOA COM APLAUSOS AOS DOIS LÍDERES MILITARES, MARECHAL FRANCÊS PRESTA HOMENAGEM À DEDICAÇÃO DO GENERAL AMERICANO À CAUSA COMUM DOS ALIADOS — (link) Outras manchetes relatavam fuzileiros navais eliminando a resistência nicaraguense; outras ainda, situações aterrorizantes em Xangai, um importante mercado internacional de drogas. (link)

Uma manchete dizia: EUA RESPONDE À NOTA TARIFÁRIA — Paris, 20 de setembro — A resposta do governo americano às representações feitas pela Embaixada dos Estados Unidos sobre as novas tarifas francesas foi recebida hoje na Embaixada... (link) Nos bastidores do Departamento de Estado dos EUA, muita coisa acontecia. (link) (link)

Boa leitura: O livro "The Man Who Solved the Market" O Homem que Decifrou o Mercado na versão, de Gregory Zuckerman (link), é de encomenda para o interessado no mecanismo pelo qual as orgias de confisco de bens, motivadas por proibicionismo religioso, destroem uma economia e ainda fabrica mentiras para ocultar o que realmente aconteceu — como em 1907, 1929, 1931, 1987 e 2008. Essa biografia, cativa quem já foi reprovado em equações diferenciais parciais, como o personagem principal, Jim Simons, pioneiro do trading quantitativo. Para ajudar a entender o método, considere Bernard Baruch, que lucrou observando, em 1891, que sempre que um fanfarrão fazia apostas exorbitantes na roleta dum bar, perdia. Baruch concluiu que a roleta estaria viciada e adotou fazer pequenas apostas opostas às do faroleiro. Se o trouxa apostasse no vermelho, Bernie apostava no preto; se no ímpar, no par. A estratégia de Baruch rendeu salário estável até que o igualmente perspicaz dono do bar o convidou a nunca mais voltar. Simon tinha diante de si os interrogatórios de clientes bancários do programa "Conheça Seu Cliente" de 1986, a Lei Omnibus sobre Drogas de 1988 (link), a pilhagem proibicionista sob pretexto da lei na década de 1990, confiscando até bancos inteiros(link), a Lei de Estratégia de Lavagem de Dinheiro e Crimes Financeiros de 1998, assinada como Lei Pública 105-310 em 30 de outubro de 1998, enquanto os bancos na América Latina afundavam em hiperinflação e colapso. Após uma década disso, até mesmo os políticos, no verão de 1999, estranhavam(link). Depois de religiosos amigos da lei seca derrubarem as torres gêmeas em Nova York, Bush dobrou a aposta, inventando "narcoterrorismo" em 2003 como pretexto para confiscar mais residências e contas bancárias (link). Essa prática foi logo adotada por governos saqueadores em todo o mundo. Mas o golpe fatal para os mercados de derivativos lastreados em hipotecas veio quando imagens térmicas e helicópteros revelaram a existência de plantações de maconha e bens e ativos afins passíveis de confisco (link) (link) (link). Analisando os dados coletados muito antes dos tremores que motivaram o Relatório Kerry, a campanha "Diga Não às Drogas" e a cruzada "América Livre das Drogas", Simons teria que ser um matemático míope para não perceber que o saque governamental sob pretexto do proibicionismo eugênico andava destruindo a economia. O mesmo ocorreu em 1907, 1914, 1929, 1970, 1974, 1980, 1982 e 1990.(link) O Fundo Medallion de USD 5,2 bilhões da Renaissance Technologies - foi lançado em 1988 após a Lei de Repressão, Educação e Controle de Drogas de 1986 - e se encaixou perfeitamente na Crise de Reagan de 1987. Este fundo pioneiro de Big Data dobrou seus lucros em 2006, depois faturou USD 7,1 bilhões em 2007 e USD 7,9 bilhões em 2008. Esses fatos indicam que Simons entendeu o que estava acontecendo — mesmo enquanto os incautos se esforçavam para não acreditar que os derivativos lastreados em hipotecas derretiam feito bruxa molhada no conto do Mago de Oz. (link) Espertos como os do conto A Roupa Nova do Rei (link) ainda arrotam bobagens para "explicar" a Crise de 2008 como TUDO MENOS o que Ayn Rand explicou no seu livro de 1966, Capitalismo: O Ideal Desconhecido: "Uma crise nacional, como a que ocorreu nos Estados Unidos na década de 1930, não teria sido possível numa sociedade totalmente livre. Ela só foi possível pela intervenção do governo na economia—"(link) No entanto, como a criança da história, que viu e disse "Mas o rei está pelado", a hipótese de Ayn Rand se encaixa nos fatos. Se Simons percebeu tal jogada, teve bom senso o suficiente para não mostrar as cartas depois de ganhar as fichas.


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terça-feira, 21 de abril de 2026

Relatório antidroga dos EUA para as nações, 1929

 

Das quase 3 toneladas de interditadas mundialmente em 1927,
89% foram ópio, 7% maconha, 3,6% morfina e 0,4% cocaína

Enquanto os nova-iorquinos dormiam na madrugada de 19 de janeiro de 1929, o Comitê Consultivo do Ópio se reunia em Genebra, na Suíça, para a 5ª reunião da sua 12ª sessão, a fim de examinar os relatórios sobre o comércio de drogas referentes ao ano de 1927. O atraso se devia principalmente à protelação de nações mais fracas, curiosas para descobrir que tipo de coerção estava sendo planejada contra elas, enquanto ocultavam detalhes das suas próprias transações. O quarto relatório da pauta seria o dos Estados Unidos, só que o presidente do Comitê lembrou que o resumo desse relatório havia sido considerado no final da sessão anterior – ou seja, em 1928. Em nome dos Estados Unidos, o Sr. John Kenneth Caldwell se ofereceu para distribuir cópias do relatório de 1928 dentro de dois ou três dias. O presidente, com diplomacia, desconversou e passou a tratar de Formosa – um protetorado do Japão na época, que hoje corresponde a Taiwan. O Sr. Sato explicou que este relatório de 1927 foi o primeiro a divulgar dados sobre folhas de coca cultivadas no Japão e pasta de cocaína bruta, despertando grande interesse entre os observadores americanos. Mas vale examinar aquele relatório americano de 1927, pois fora EXTREMAMENTE informativo...

O relatório americano de 1927 na largada badalou uma lei de 22 de junho de 1927 que regulamentava os "narcóticos" nas liberais Ilhas Virgens, e outra de 3 de março de 1927 adicionando mais um órgão de proibição — desta vez no Departamento do Tesouro. O relatório elogiou o Estado de Nova York pela sua lei antidrogas de 5 de abril de 1927, obedecendo a Convenção de Haia sobre o Ópio — convenção essa que ninguém quis admitir teria sido o casus belli da Primeira Guerra Mundial. Transbordando orgulho, o relatório versava sobre as novas regulamentações nos formulários de importação dos EUA, a serem implementadas nos portos estrangeiros a partir de junho. A eficácia dessas regulamentações impeditivas das exportações para os EUA transparece numa reportagem de jornal mostrando que as importações da Europa em julho de 1927 foram 90% menores que as de julho do ano anterior.(link) Logo, em 1º de setembro de 1927, a França, exportadora de heroína, impôs tarifas "proibitivas" às exportações americanas em represália.(link)

Nos EUA sobrava dinheiro para torrar com agentes e fiscais. As verbas destinadas à repressão somaram 1,3 milhão de dólares-ouro, cada um valendo 1,67 gramas de ouro — mais de duas toneladas métricas de ouro a preços de 2026 e equivalentes hoje a USD 336 milhões. Cumpre abordar o tamanho do estrago financeiro que essa verba poderia causar às finanças globais. Segundo o relatório dos EUA, seria quirera, pois diversos fatores, apontados no relatório integral, "juntos tornam praticamente impossível a tarefa dos fiscais americanos, limitados pelas leis vigentes, de prevenir a entrada de entorpecentes no país". Aos olhos europeus, stupéfiants ou entorpecentes significaria nos EUA tudo aquilo que o governo não goste, incluindo cerveja! Veja o clima nos jornais que circulavam ali enquanto a Liga das Nações se reunia em setembro de 1927:
O administrador da Lei Seca de Nova Jersey, Hanlon, sobre a remoção de drogas confiscadas de um depósito do governo. NY Times, 21 de agosto de 1927, p5c4.
Agentes da lei seca tentam busca sem mandado para fechar cervejaria.(link)
Oficial americano baleado em Dresden, na Alemanha.(link)

A America proibicionista emitia em 1926 alertas de que seus "esforços para controlar o consumo de drogas perigosas nos territórios sob sua jurisdição" (inclusive as Ilhas Filipinas, Samoa, Guam, Wake e Havaí) "vinham sendo anulados de forma alarmante pelas atividades de contrabandistas que pareciam não ter dificuldade em adquirir grandes quantidades de drogas no intuito de introduzi-las secretamente nos Estados Unidos". Daí, a rasteira: "não havia como melhorar a situação sem controles, nos países que não os Estados Unidos, sobre a fabricação e exportação de entorpecentes, limitando a sua venda às importadoras autorizadas..." Problema de quem isso? Rezava o relatório, com detalhes, que "ocorreram diversas e recentes grandes apreensões de drogas, presumivelmente de origem europeia". Ostentando a rigidez dos EUA na aplicação proibicionista d monroísmo aos países vizinhos economicamente fragilizados, NENHUM deles extraía morfina do ópio, e apenas dois países sul-americanos fabricavam cocaína a partir da pasta ou das folhas de coca.

A ameaça velada veio da seguinte forma: 93,7% dos casos julgados resultaram em condenações que, somadas, totalizaram 7088 anos de prisão para os sobreviventes. As multas e acertos de "impostos" de 1926 e 1927 somaram 798.000 dólares-ouro, equivalentes a 3.990.125 francos suíços de ouro. As doações da família Rockefeller para a Liga em 1926 totalizaram quase 99.000 francos, e os gastos com as sessões do Comitê Consultivo do Ópio, inclusive serviços da gráfica, comunicações e telegramas foram de apenas 28.500 francos de ouro. A receita das penalidades americanas, por si só, vultava 70 vezes maior que o custo anual para a Liga das atividades do Comitê Consultivo do Ópio — incluindo a maquiagem dos discursos hipócritas sobre o tráfico de mulheres e crianças! No exercício de 1926, a conta bancária da Liga mostrava um saldo de 1.201.189,65 francos de ouro, ou pouco mais de 240.000 dólares de ouro. De 1920 a 1926, a Liga das Nações não conseguiu arrecadar USD 1,6 milhão em contribuições dos países inadimplentes cujas economias haviam sido devastadas ou tolhidas pela guerra e pelas leis repressivas — isso segundo o Diário Oficial da Liga. A China devia mais de um milhão de dólares e o Peru outros USD 281 mil — isso ANTES de as novas regulamentações abstencionistas americanas derrubarem 90% das exportações europeias para os Estados Unidos. Nessa crise galopante enfraquecendo a Europa, surpreende que os americanos foram logo se infiltrando e assumindo controle da Liga das Nações?  

As conclusões do relatório americano botavam dedo nas feridas que afetavam pelo menos sete países e colônias: o rendimento de cocaína da plantas de Java eram quase o dobro daquele obtido das folhas peruanas. Botânicos holandeses criaram arbustos superiores em Java, logo a coca cultivada nas possessões japonesas vizinhas seria duas vezes mais forte do que as cepas sul-americanas. Mais preocupante ainda, o Departamento do Tesouro dos EUA enviou, em setembro de 1927, agentes e espiões para estabelecer contato com agentes e espiões europeus a fim de trocar informações. O Conselho Federal de Controle de Narcóticos era obrigado a levar em conta a possibilidade de condições políticas instáveis ​​nos países produtores de ópio bruto interferirem nos embarques para os Estados Unidos. Tais fatores pesariam em qualquer emergência nacional que pudesse causar um aumento súbito na demanda por drogas medicinais. Os europeus entenderam muito bem que fora exatamente isso que ocorria quando juntavam assinaturas em julho de 1914 para impor as limitações de Haia à produção e ao comércio de ópio e afins em todo o mundo. Não é de admirar que o Comitê procurava minimizar aquele deprimente relatório americano. *-*-*

Notíciários da estação canadense CTV são menos deprimentes que os dos EUA.(link) Mas deu na vista uma promessa inglesa de proibir cigarro às pessoas nascidas após a crise de 2008.(link) Sou contra o tabagismo, mas relendo a obra do Dr Lewin de 1924, consta que o último imperador da dinastia Ming proibiu fumar tabaco. Não demorou muito uma epidemia de dependência do ópio espraiar pela China.  Também sou contra drogas da dormideira e da coação -- que no fim das contas, sempre depende da violência da lei. A obra "Phantastica" desse Lewin, Médico alemão e primeiro a isolar a mescalina aparece em italiano na Estante Virtual. Apesar de erros da época, a reedição americana de 1998 se esgotou, mas exemplar talvez se encontra pelo bookfinder.com


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segunda-feira, 13 de abril de 2026

1929: Os EUA na repressão europeia das drogas

 

Das quase 3 toneladas de substâncias agarradas em 1927, 89% foram ópio, 7% maconha, 3,6% morfina e 0,4% cocaína, estes representados pela fatia em azul claro no gráfico.

Enquanto os membros do Comitê Consultivo do Ópio voltavam do almoço entre a 3ª e 4ª reunão em Genebra, os americanos abriam seus jornais matutinos de 18 de janeiro de 1929, deparando com notícias como...
O senador Tydings toma medidas para restringir os empréstimos americanos no exterior. (A Alemanha  tomava empréstimos para pagar reparações de guerra.)
O rei iugoslavo dá o primeiro passo para acabar com a ditadura. (O presidente da reunião é da Sérvia, país que exporta ópio.)
US$ 20 milhões em ouro destinados para transferência, presumivelmente para uma conta francesa. (Sacou? Tipo abril de 2026?)
Empréstimos a corretoras aumentam US$ 71 milhões na semana... (Instabilidade do over na bolsa de valores)

As discussões sobre as relações entre o Conselho Central Permanente do Ópio, apoiado pelos EUA e China, e o Comitê Consultivo sobre o Tráfico foram retomadas, e o restante da reunião prosseguiu em sessão pública. Os artigos preliminares elaborados nas sessões de 16 de fevereiro de 1923 incluíam planos para o Conselho Central do Ópio. Os EUA e a China insistiam que esse conselho seria necessário, apesar mesmo de o Conselho Consultivo estar coletando estatísticas em todo o mundo –embora com múltiplas finalidades para essas informações. Um participante suíço interpretou o Artigo 27 da Convenção sino-americana de Genebra como exigindo que o Conselho tomasse todas as medidas necessárias para impedir que tais informações fossem publicadas ou levadas ao conhecimento de especuladores que pudessem usá-las para fins ilícitos--ou driblar concorrentes. Essa exigência suscitava um dilema. Havia críticos dessa insistência dos EUA em restringir uma longa lista de drogas e folhas. A experiência provara que restringir apenas o ópio – que representava 9/10 de todas as drogas, com exceção do álcool e do tabaco – desestabilizava economias regionais inteiras que ou exportavam ou  monopolizavam e tributavam as drogas para a receita. O zelo americano, ofendido por tamanha pusilanimidade venal, levou seus delegados a insistirem que as considerações econômicas fossem menosprezadas, face aos pruridos morais que favoreciam a proibição e regulamentação das drogas. Os receios da China, pouco mais que escombros de guerra, e a indignação moral dos Estados Unidos, cobradores da proibição do álcool, eram o que importava. Ambas as equipes de estatística foram instruídas a prosseguirem. O delegado do Japão poderia apontar objeções à atuação do Comitê Consultivo nas estatísticas, mas isso fazia parte das atribuições dos dois times.

O Sr. Lyall, do Conselho do Ópio procurou apaziguar os ânimos admitindo que o Conselho Central do Ópio era criança, não tinha sequer secretário e pretendia instar os Estados aderentes à convenção de 1925 a adiarem o envio de estatísticas até após a sessão agendada para abril. Por ora, o novo conselho apenas queria observar atentamente as reuniões do Conselho Consultivo da Liga e "ganhar experiência". O sorridente representante de Portugal mostrou-se disposto a mudar de assunto, mas o representante da França voltou a repisar as exigências de sigilo do Artigo 27 da nova Convenção repressionista "de Genebra". Neste ato o francês arriscava chamar atenção aos impactos econômicos e financeiros da repressão--assunto impensável para as delegações dos EUA da China. O senador da Itália e o representante da Grã-Bretanha disseram que nenhum especulador ou concorrente comercial havia lucrado com as estatísticas fornecidas anteriormente ao Comité Consultivo, entidade isenta das restrições do Artigo 27 de Genebra. Só que bastou isso para preocupar o representante holandês que divisava a possibilidade de o Comité Consultivo ser completamente excluído do processo por questões de sigilo de dados. Com isso o presidente considerou o assunto praticamente esgotado, e a reunião voltou à análise dos relatórios dos países. Rapidinho passaram a examinar o relatório da Alemanha. 

O Comitê do Reichstag que estudava o código penal notou um aumento no número de dependentes de drogas relatado pelo Ministério da Saúde da Alemanha nos últimos anos, logo, aprovou uma resolução para limitar a produção de drogas às necessidades médicas nacionais. O representante da Grã-Bretanha perguntou de mansinho se o representante alemão gostaria de elaborar, e o digno – ciente da concorrência na sala – respondeu que compartilharia as informações que se esperava obter em uma futura reunião plenária do Reichstag. O representante britânico quis saber por quê 692 quilos de cocaína bruta haviam sido enviadas da Alemanha para a Rússia, e o mesmo Dr. Kahler, da Alemanha, se ofereceu para investigar. Em relação ao relatório sobre Chosen (atual Coreia), o Sr. Sato pediu um adiamento para que pudesse preparar explicações sobre os planos do governo japonês de monopolizar a produção de morfina naquela ilha. A reunião foi encerrada com uma trégua instável entre os negociadores europeus e os novos insurgentes. Os participantes estavam ansiosos para analisar e negociar os relatórios de controle de drogas dos EUA, Formosa, França, Grã-Bretanha e Hong Kong na reunião de sábado.

Os jornais de Nova York noticiaram que o ex-governador e candidato derrotado à presidência, Al Smith, agora seria banqueiro na diretoria da County Trust Company, juntamente com James J. Riordan. Em Berlim, o magnata do potássio, Arnold Rechberg, fazia lobby por uma aliança entre Alemanha, França e Inglaterra contra os Estados Unidos para resolver questões de empréstimos de guerra e reparações.(link) O administrador americano de bens estrangeiros, Howard Sutherland, responsável por enormes participações acionárias confiscadas da Alemanha durante a guerra, concedeu procurações de voto para 12.400 ações a John D. Rockefeller Jr., que lutava pelo controle da Standard Oil de Indiana.(link) Herbert Hoover voltou da América do Sul, onde teria "conquistado o Cruzeiro do Sul". Um sulista americano  em Nova York, reclamou chocado aos jornais que "duas mulatas" se atreveram a sentar do seu lado no cinema! Essa carta de leitor apareceu enquanto o filme falado multirracial "Gang War" passava nos cinemas. Os leitores nova-iorquinos caíram de pau nesse chato.


Já que o assunto é filme: Rola no Canadá um vídeo do propagandista Michael Moore comparando o Trump ao Hitler. O Moore pra mim é omq comunista, só que é competente fazedor de propaganda. Toda a corrente dele procura dizer que libertário é nazifascista (pois não somos comunas), da mesma forma que os nazifascistas dizem que libertário é comuna (pois não somos nazifascistas). O erro é achar que uma linha horizontal, como moeda de cara ou coroa, possui dimensões suficientes para descrever posições políticas. Nem ponto nem linha consegue descrever área e área não resolve espaço no problema dos 3 partidos. Assisti essa amostra em inglês e gostei, mas não consegui achar nada legendado ou explicado à altura--nem mesmo em alfacinha lisboeta. Presto atenção a tudo o que os democratas ou petistas dizem a respeito dos trumpanzistas ou bolsonaristas e vice-versa--e voto libertário. Então, aí vai o melhor link que achei: 


Como o fascismo se instala... Seria interessante uma dublagem disso, mas tô esperando sentado. 

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terça-feira, 31 de março de 2026

A causa da hiperinflação brasileira

 

Esse foi o Senador John Kerry, vendendo projeto de lei "lotação" Omnibus Drug Bill S2852 de 14 de outubro de 1982, para bedelhar em banco e país alheio pra servo de monroista ficar falando de lado e olhando pro chão. (link)

Repare que esses políticos mal-informados garganteiam acerca de bilhões e bilhões de megadólares sem por um segundo admitir que macaquear em soberania alheia pudesse ter repercussões econômico-financeiras. O vídeo data de 14 de outubro de 1988--um ano após o Crash que deu na bolsa dos EUA e repercutiu na Ásia. 

Na época desse Crash de 1987--essa liquidação de títulos por pessoas que acham que algo ruim está no porvir--delações preparavam terreno para o Maxiprocesso na Italia de 475 mafiosi, incluindo o famoso Tomasso Buscetta, que tentou se ocultar no Brasil, lembra disso? Os recursos negados, 338 desses foram condenados pelo Supremo italiano em 30 de janeiro de 1992. Nesse meio tempo os EUA agarravam bancos e os transformavam em lavanderias de dinheiro controlados por agentes proibicionistas numa espécie de operação de espionagem nos negócios de compra e venda de substâncias.  Pouco demorou pra cismarem de invadir o Panamá--que esse senador Kerry aponta en passant como na alça da mira do executivo, já controlado pelo ex-diretor da CIA e ex-vice do Reagan, George HW Bush. Não demorou. Em 20 de dezembro de 1989 os EUA invadiram Panamá em golpe parecido com esse da Venezuela. Levante a mão quem sabe quando a economia brasileira estourou em hiperinflação... alguém?

A inflação virou crise brasileira em 1986, piorou muito em 1987, acelerou de 1988 a fins de 1989 e voou pelos ares quando o Fernandinho Collor salvou o Brasil dos petistas e abraçou o governo Bush. Após cair dos 80% mensais despencou, mas galgou novamente aos 40% MENSAIS em 1994. O romance A Revolta de Atlas saiu em português em 1987 (como Quem É John Galt?) e a Constituinte de 1988 logo importou leis eleitorais do Nixon para afastar a possibilidade de se formar partido libertário. Só que com a internet, hoje dá para assistir vídeos informativos da revista libertária Reason, com texto que dá pra traduzir no Google.(link) Daí vc tb assiste no Youtube.

Esses assuntos econômicos não são difíceis de entender. Qualquer um vê que inventar pretextos para baixar leis violentas logo provoca estrago em alguns cantos desse mundo. 

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sábado, 28 de março de 2026

Trailer do filme de 1934 sobre os nacionalsocialistas cristãos

Esse filme feito em 1934 pelo neto do Vanderbilt, quando ele parecia sósia do Santos Dumont, ainda está malocado na Bélgica até onde sei.(link) Achei outro trailer na Wikipedia.(link) Mas os 65 minutos do filme original continuam ocultados. 

O mesmo acontece com os discursos do político nazista alemão. A Liga das Nações, aliciada pelas doações do Rockefeller em 1926-27 admitiu novo órgão infiltrado pelos chineses e americanos que pelejava para redefinir todo e qualquer comércio livre como "tráfico" de Belzebu. Pretexto para tudo isso eram artigos das convenções da Haia, do Tratado de Versalhes e da Liga das Nações--que Hitler prometeu abolir. Foi justamente quando esses trabalhos legislativos dos concorrentes--afinal, os países que dominavam o comércio internacional de heroína eram a França, a Alemanha, o Reino Unido e a Suíça--provocaram o desmoronamento da economia alemã, que os industrialistas alemães financiaram o partido nacionalsocialista como a única que oferecia tirar esse mico

Repare que a França exportou muito mais heroína, verdadeiro entorpecente, do que a Alemanha de 1926 a 1931

Sem esses discursos--sobretudo os de 1929 a 1933--não dá para investigar se Hitler entendia dessa ligação ou nutria apenas o preconceito do torcedor cujo time foi derrotado no campeonato de 1919. Alguns dos discursos traduzidos já comprei, mas nessas coletâneas as de 1929 a 1933 não constam. Sei que os cristãos têm muuuita vergonha desse político e do governo que elegeram com ele. E daí? Muitos odeiam a teoria de Darwin e mesmo assim as pessoas conseguem achar e ler as lições que Darwin lecionou.  

Leitura relevante: TÓXICOS NO DIREITO PENAL BRASILEIRO de Edevaldo Alves da Silva. Leitura obrigatória para quem quer entender como o monroísmo e a paranóia do segundo país proibicionista influenciou a redação das leis brasileiras. Editado em 1973 pelo José Bushatsky de São Paulo, esse livro prova na pág 482 que o governo Nixon conseguia adesões a tratados proibicionistas para depois inserir emendas unilateriais "ex-post facto," prática expressamente proibida pela constituição dos EUA. As traduções não mentem.

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