domingo, 1 de março de 2026

Liga europeia ou fantoche americano? Janeiro de 1929

 

Véspera de natal de 1928, o abstencionista presidente-eleito Herbert Hoover se despede do festivo povo brasileiro.(link) No mesmo dia a alfândega de Nova York descobre entorpecentes formadores de dependência e estimulantes sem esse defeito que valeriam supostos USD 4 milhões--parte de um carregamento maior que os oficiais diziam valeria USD 20 milhões, trazidos por uma nave francesa.(link) Sim, estou me valendo da versão gratuita do DeepL.com

Os especialistas médicos da Liga na 2ª reunião consultiva sobre o ópio discutiam a insistência dos EUA em adicionar a benzilmorfina ao índice de drogas selecionadas para regulamentação rigorosa, da mesma forma que a benzoilmorfina com o “o” a mais. Um médico suíço afirmou que a primeira não causava dependência. Um dos aliados dos EUA que participava do Comitê Central Permanente do Ópio, que acompanhava corujando as reuniões do Comitê Consultivo sobre Ópio, apontou que a mistura continha mais de 2% de morfina. Esse comitê central, dominado pelos EUA, já estava reunido na Genebra fazia quase duas semanas.

A imprecisão de termos como “hábito” e “dependência” já era explorada pelos americanos. Naquela época, as leis dos EUA proibiam o chucrute por conter 0,5% de álcool, resultado da fermentação natural. O futuro presidente Ronald Reagan—rapaz de 18 anos quando os partidários da Liga tentavam rotular certos opiáceos como não causadores de dependência—herdaria a tendência oposta. Os partidários republicanos de Reagan se comprometeram a ignorar a ciência médica para declarar as folhas estimulantes de plantas sul-americanas e indonésias como “viciantes” por decreto político—gerando lucro e sorrisos nos vendedores de tabaco—e, dali a pouco, aos vendedores de uísque.

Neste gráfico a ONU, sucessora da liga, determinou durante o governo Truman que mascar folha de coca não provoca dependência, quando muito, hábito. No governo Eisenhower e Nixon a mesma ONU vira casaca declarando que mascar essas folhas gera dependência, classificando-as politicamente na categoria da heroína escravizante e da cocaína que não gera a atrofia do organismo que resulta na dependência da dormideira. O governo Nixon em 1971 declarou "guerra às drogas" a revelia das definições médicas e provoca recessão com desemprego. 

As notícias daquele dia em 1929 incluíam relatos de uma nova investigação da Ku Klux Klan. Essa denominação cristã era mais conhecida por insistir a pauladas que os americanos de ascendência africana eram uma ameaça muito mais grave ao tecido social do que as drogas e o álcool, que os membros da Klan acreditavam agravar ainda mais o “problema racial”. O governador de Nova Iorque, Al Smith, cuja candidatura “molhada” em 1928 levou a Ku Klux Klan a aderir ao Partido Republicano, apareceu em programas de rádio pedindo doações aos democratas. Um novo plano para cobrar as dívidas de guerra e os pagamentos de reparações da Alemanha estava em discussão—inclusive uma moratória ou suspensão temporária do pagamento das dívidas. A notícia mais inquietante dos dias anteriores foi da decisão no Senado de divulgar as declarações de imposto de renda daqueles que solicitavam restituições. Comparado com isso, guerra envolvendo a Bolívia e a abdicação de um rei afegão após três dias no cargo eram arráia miúda.

Setenta e nove anos depois, em janeiro de 2008, as garrafais berravam: Citi registra prejuízo de USD 10 bilhões e corta 4200 empregos... Bank of America corta 650 empregos para reestruturar a economia... Índice Dow Jones em queda... Os defensores da proibição pediam a expansão e uma aplicação mais rigorosa das leis contra a “lavagem” de dinheiro aprovadas em 2006. Aparecerão aqui outras comparações entre eventos e circunstâncias que antecederam as crises de 1929 e 2008. Afinal, na minha tese ambas resultaram das leis proibicionistas antiliberais e violentas geradoras das duas crises, portanto, fique ligado.   

Leitura: O ex-secretário do Tesouro do Obama, Timothy Geithner mencionou Lords of Finance, de Liaquat Ahamed. Embora repleto de fofocas sobre os Senhores da Criação da época entre o boicote à China e a Segunda Guerra Mundial, o autor parece nem saber que a Alemanha liderava o mundo em produtos químicos e farmacêuticos em 1914, 1931 e 1939. É como se o ópio ainda não tivesse sido descoberto e a Liga das Nações existisse com o único propósito de culpar a Alemanha pela Primeira Guerra Mundial. No mundo real, a Liga foi organizada como projeto americano cujo único propósito foi de substituir a Haia como veículo do proibicionismo violento. Isso consta no Artigo 23 do Tratado de Versalhes e da Carta da própria Liga—artigos que NENHUM dos "explicadores" da crise percebeu: “...confiar à Liga a supervisão geral dos acordos relativos ao tráfico de ópio e outras drogas perigosas.”  Direi mais ao terminar de ler, mas até agora o livro parece sim algo encomendado para desviar a atenção de eventual conexão causal entre os programas de “compartilhamento” de confisco de bens baseados na fé de GW Bush--que instavam a polícia estadual e local a confiscar casas hipotecadas para cultivo de maconha--e a crise dos derivativos lastreados em hipotecas. 

Esse gráfico mostra apenas os valores federais, que foram muito menores que os dos estados e comarcas da União. A lei que possibilitou esses confiscos foi aprovada em 2006. Algo parecido ocorreu na América do Sul de 1986 a 1992, com hiperinflação e ataques ao Panamá 

Todas as evidências indicam que, uma vez que as perdas com esses confiscos de bens ultrapassaram os roubos por arrombadores em valores monetários, o mercado de derivativos lastreados em hipotecas entrou em colapso EXATAMENTE por causa das hipotecas incobráveis resultantes. Esse deslizamento provocou a avalanche de prejuízo que arrasou a economia em 2008—o ano em que o livro foi escrito. 

Aviso à Microsoft: Seu software teima em cobrar que eu permita o acesso às minhas fotos da Apple. Se (e isso é apenas uma hipótese ilustrativa) essas fotos incluíssem imagens comprometedoras semelhantes a um fundador da Microsoft ou um grande acionista na Ilha da Fantasia de Epstein, tenho certeza de que ficaria claro por que não estou convidando o Windows a vasculhar os arquivos. Não insistam, pois não me apetece de acabar como McAfee ou Epstein. Já tenho o Linux instalado em outra máquina e dois Macs em funcionamento.

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 Quer saber a causa do Crash de 1929 e da Depressão da década de 1930? Leia.

ALeiSeca0619

Para melhorar o seu inglês, nada como a minha polêmica tradução de O Presidente Negro (O Choque das Raças) de Monteiro Lobato: America's Black President 2228. Na Amazon (link)

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