segunda-feira, 9 de março de 2026

Empresas farmacêuticas em saia justa, 1929

 

Os EUA exportavam o proibicionismo até trazer colapso e guerra, para então se fazer de desentendidos

As finanças da Liga das Nações preocupavam em 1926. Os países produtores de drogas forçados a aderir estavam com quase 10 milhões de francos-ouro em atraso (aproximadamente USD 2 milhões, com o câmbio de 5 para 1). Fecharam o ano, com apenas USD 280.000. Em março de 1927 estourou o Incidente de Nanquim (link). Em maio houve susto de guerra entre o Reino Unido e a União Soviética, e a seguir a decisão da Suprema Corte tornando tributáveis os lucros auferidos com droga e bebida. A bourse da Alemanha despencou. O franco francês desvalorizou e turistas americanos foram importunados pela polícia querendo ver documentos de identidade. Mas os preços das ações francesas se mantiveram.(link) Agora, janeiro de 1929, veio a oportunidade dos proibicionistas americanos, já infiltrados na Liga com seu "Conselho Permanente do Ópio", exercerem pressão constante para o  Comitê Consultivo do Ópio endossar leis mais severas contra a produção e o comércio globais. (Estou usando o DeepL para facilitar esta versão). 

A lacuna ocorre quando a pressão da Liga deu gravata na indústria farmacêutica alemã em 13 de julho de 1931. A queda começou com o “incidente” de Nanquim, no qual chineses atacaram estrangeiros, especialmente japoneses, que substituíram os alemães na China segundo o Tratado de Versalhes. 

Nesta terceira reunião de 18 de janeiro de 1929, os americanos dobraram as apostas. Frustrados na convenção de 1925, na qual Haia havia recusado a repressão totalitária ilimitada do tipo que agora estava aumentando no hemisfério americano, a China e os EUA queriam uma revanche. Nesse clima hostil o assunto em pauta era quanta pressão o Conselho Central do Ópio poderia exercer sobre o Comitê Consultivo do Ópio para influenciar a Assembleia da Liga a aprovar maior rispidez regulamentar. O senador italiano Cavazzoni — rejeitado em sua tentativa de se infiltrar pessoalmente no Comitê Consultivo do Ópio em 1926 — comparou o Comitê a um lobby de produtores dominado por cartel e propôs quebrar o sigilo da atual reunião. O representante do Japão, Sato Naotake, achou que a atenção da mídia naquele momento nada agregaria. Cavazzoni cobrou votação e perdeu por 6 a 2, apoiado apenas pelo pitoresco representante da China, Wang King-ky.

Cavazzoni deslanchou sermão citando o Artigo 23 do Pacto da Liga das Nações. Vencedores e vencidos da Primeira Guerra Mundial tinham um dever a cumprir, uma guerra santa contra tudo o que os americanos cismassem ser droga perigosa. Afirmou falsamente que o Conselho Central era “uma criação da Liga das Nações”. A seguir admitiu que a referida entidade sino-americana fora criação da convenção de “Genebra” de 1925. O estudioso japonês rebateu, citando a “convenção” de 1925 ouriçada de cláusulas que substituiriam outras da Convenção de Haia de 1912.  Estas cláusulas, afinal, sofreram rápidas mutações até resultarem na guerra. A Carta da Liga, elaborada em parte pelos Estados Unidos, incluía uma referência aberta a futuras “convenções existentes ou a serem acordadas.” Sua proposta proibicionista, espelhada no artigo 23 do Tratado, ainda decretou em seu artigo 282 que a paz importava na rendição às mesmas restrições de Haia sobre drogas que desfecharam a guerra! 

Cumpre agora apresentar este senador italiano em suas próprias palavras, proferidas na 8ª Assembleia da Liga, em dezembro de 1927, à pág. 67:  

Qual fora, na verdade, o objetivo da Liga? A defesa e o progresso da civilização. Só que essencial mesmo seria conhecer o significado da palavra “civilização”, tão frequentemente deturpada. Civilização não significava apenas o bem-estar material. De acordo com as tradições do cristianismo, civilização era sinônimo de moralidade.” ... “Esses males sociais — o vício em drogas, o tráfico de mulheres, o abandono de crianças, a criminalidade infantil, a venda de publicações obscenas — eram pragas que não respeitavam nenhuma fronteira e contra as quais a ação isolada de um único governo não bastavam. Surgiu, portanto, a necessidade de uma ação comum; e era bom estabelecer certos princípios que indicassem o caminho e os limites da atividade social da Liga.”

O deputado federal Hamilton Fish decerto reconheceria em Cavazzoni um correligionário. Não surpreende que os proibicionistas americanos em 1927 decidiram: “Esse político é dos nossos!” 

LeituraLavagem de Dinheiro por Meio de Obras de Arte - Uma Perspectiva Judicial Criminal, por Fausto Martin de Sanctis.(link)  Quando esse desembargador me contratou para a tradução do livro, tive que assumir que sou da oposição, concorrente desse ideário. Em nenhum lugar no livro esse juiz admite que os confiscos e cobranças dessas leis violentas seriam capazes de desprender uma reação em cadeia capaz de criar pânico em bolsas de valores, corridas bancárias, colapso econômico ou guerra--coisas para mim sobremaneira preocupantes. Mas cá está em português elegante uma exposição da premissas e conclusões semelhantes às que motivaram os ocidentais a legislarem da forma que os republicanos americanos, os participantes da Haia, os Aliados da Primeira Guerra, os integrantes da Liga das Nações, aliados da Segunda Guerra, membros da ONU, expedicionários da guerra na Coréia e do Vietnã a agirem da forma que agiram. O autor gostou da minha tradução, pois no linguajar e conhecimento do assunto somos compatíveis. A versão em inglês, também na Amazon, tem título Money Laundering Through Art--a Criminal Justice Perspective. (link

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Instruções em português para preencher o formulário de asilo i589, um dólar no formato Kindle que você lê no celular (link



 Quer saber a causa do Crash de 1929 e da Depressão da década de 1930? Leia.

ALeiSeca0619

Para melhorar o seu inglês, nada como a minha polêmica tradução de O Presidente Negro (O Choque das Raças) de Monteiro Lobato: America's Black President 2228. Na Amazon (link)

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