sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Preocupações conspiratórias na 12ª reunião do Comitê do Ópio de 1929

 

Menções de contrabando em espanhol na mídia da época

Na manhã de 24 de janeiro de 1929, o Comitê Consultivo sobre o Ópio da Liga das Nações em Genebra retomou os seus trabalhos preocupantes. Abordaram o item 307: "Perigo de deturpação na imprensa a respeito da venda de drogas: declaração do representante suíço". Em pauta estava um artigo publicado no Daily Mail, de Lord Rothermere.(link) Esse jornal — detestado por George Orwell — insinuara dois dias antes, uma ligação entre o tráfico ilícito e uma empresa suíça com filial no sul da Alemanha. Para tanto, o Mail forjou "números formidáveis ​​e sensacionalistas", levando os leitores a imaginar dez toneladas de morfina sendo enviadas irregularmente para a Grécia com conivência suíça, e pantopon sendo comercializado em quantidades exorbitantes. O Dr. Carrière corrigiu os cálculos das quantidades — que apresentavam um erro de quatro ordens de grandeza — e esclareceu que, em 1927, não houve nenhuma exportação de morfina suíça para a Grécia; logo, as alegações do Daily Mail estavam "longe de representar a situação com precisão". O médico fez questão de que os fatos constassem em registro, para evitar que acusaçõe caluniosas dessem origem a "suposições fantásticas". Outros compartilhavam a sua preocupação com supostas conspirações contra os nobres esforços da Liga, que visavam redirecionar, de forma coercitiva, a atividade humana para caminhos mais altruístas.  

Em 1928, promotores, jornais e repórteres judiciais americanos utilizavam, praticamente toda semana — e com ainda mais frequência desde então —, o termo "conspiração" para descrever as atividades que giravam em torno da legislação suntuária. A maior parte dessas histórias envolvia congressistas, autoridades federais e estaduais, juízes e policiais municipais que se organizavam em grupos para lucrar com as diferenças de preços introduzidas no comércio pela violência das leis proibicionistas. Contudo, casos recentes revelaram infratores que utilizavam distintivos falsos para se passar por agentes de combate a entorpecentes e até mesmo por membros da Guarda Costeira. O assassinato de Arnold Rothstein, ocorrido durante o período eleitoral em Nova York, desencadeou uma série de revelações escusas e perturbadoras, além de provocar quedas nos mercados. Desde o início de 1925, a cobertura jornalística vinha sendo motivo de preocupação; na ocasião, o Conselho Central foi incumbido — por meio do Artigo 27 — de garantir que as informações recebidas sobre a circulação de drogas "não fossem tornadas públicas de maneira a facilitar as operações de especuladores ou prejudicar o comércio legítimo de qualquer Parte Contratante". Essa preocupação tornou-se urgente, chegando a ser sinistra, durante a análise, realizada naquele dia, das apreensões de drogas na Itália (Documentos O.C.773 (a) a (g)).

Medicamentos com rótulos suíços e alemães foram interceptados na Itália; um senador italiano, membro do comitê, vangloriou-se de que a fiscalização no país era rigorosa e as substâncias, de origem estrangeira. Estimulantes da marca Merck foram mencionados, o que levou o representante alemão — como manda o figurino — a insistir que os rótulos fossem examinados para ver se havia contrafação nisso. Outro trecho do relato italiano despertaria grande interesse entre os proibicionistas americanos nos Estados Unidos e seus correligionários. Por volta de 1906, ondas de pânico moral — envolvendo tanto a China quanto os EUA — resultaram no caos econômico e na instabilidade política que os governos da região previam caso a produção e o comércio do ópio fossem subitamente reprimidos. O empobrecimento e colapso econômico repentino — decorrentes do bloqueio chinês a todas as importações de opiáceos, somados a proibições semelhantes impostas pelos EUA — desencadearam violência extrema entre grupos tribais e religiosos, afetando de forma particularmente brutal as mulheres e crianças, as mais vulneráveis ​​daquelas populações. Os massacres de armênios iniciados em 1905 ano marcado por boicotes chineses,(link), e as Guerras Balcânicas, ocorridas após a Revolução Chinesa, foram o oposto daquilo que a União Cristã de Mulheres pela Abstinência prometeu: que proibir o álcool e as drogas protegeria mulheres e crianças, pois os maridos não torrariam a renda familiar em bares. O desmentimento dessa crença — e o consequente receio de que as proibições do comércio enquanto veículos da pobreza seriam apontadas como as verdadeiras responsáveis ​​— gerou forte demanda por uma explicação na Seção Social da Liga das Nações -- explicação que isentasse os EUA e a China de terem desencadeado esse pavoroso descarrilhamento. Esse relatório italiano, com seu tom estridente, veio a calhar. 

O representante da Grã-Bretanha frisou os trechos que apontariam conexões ligando o tráfico de drogas no submundo à prostituição e o tráfico de "escravas brancas" — algo distinto dos cigarros que Henry Ford denunciou e procurou proibir, classificando-os como "escravizadores branquinhos".(link) A página 2 do documento O.C.773(d) dava a entender que a cocaína era utilizada para "arruinar mocinhas" em bordéis italianos; por isso, sugeriu-se que dar destaque a essas histórias "seria de grande proveito". A secretária, Rachel Crowdy(link) — que recebeu o título de "Dama" pelo seu trabalho na guerra —, deixou de lado a neutralidade para agradecer ao senador Cavazzoni e convencê-lo a permitir a divulgação da parte de seu relatório ao Comitê sobre o Tráfico de Mulheres e Crianças e ao Comitê de Bem-Estar Infantil. Certamente, isso serviria para isentar o zelo proibicionista de toda e qualquer responsabilidade pelos genocídios armênios e escaladas de violência que, invariavelmente, seguiam-se a cada uma de suas campanhas nas fronteiras do cristianismo com muçulmanos.

A Guerra Mundial trouxe lucros tão imensos para os bancos, exportadores e a indústria bélica dos EUA que compensaram — ou, pelo menos, adiaram — os custos de sobrecarregar a economia americana com as emendas constitucionais que instituíram o Imposto de Renda e a Lei Seca, somadas a uma avalanche de outras proibições de substâncias motivadas sobremaneira pelo boicote chinês. Quando a Lei Seca do Volstead) entrou em vigor em 1920, a indústria americana perdeu 507 destilarias — que produziam 286 milhões de galões de bebidas destiladas —, 1217 cervejarias e 175 mil bares; contudo, o país exigia, ao mesmo tempo, o reembolso de 21 bilhões e 751 milhões de dólares referentes a dívidas de guerra contraídas pelas nações europeias. Mas existia um outro elemento naquele relatório italiano. Ali se mencionava "uma empresa chamada Ferrari" e o desenovelar desse fio acabou por aumentar o constrangimento, em fins de junho de 1929, além do ponto crítico que culminaria no Crash (o famigerado craque da bolsa) e na Grande Depressão.(link)

Os jornais disponíveis na Genebra (além do Daily Mail) naquele dia traziam notícias desse cunho:
23 de janeiro de 1929: Gladstone é indiciado por apropriação indébita. (NYT, 23/jan/29, 4:7) Advogados especializados em falências fugindo com bens, a exemplo dos casos Steinhardt/Pinner... 

23 de janeiro de 1929: The Montreal Gazette, pág. 1. IMPROVÁVEL QUE A CONFERÊNCIA TRAGA RESULTADOS — Não se espera que Ottawa aprove legislação para auxiliar na aplicação da Lei Volstead — Ottawa, 23 de janeiro... (link)
Na mesma página: SOLICITADO AUMENTO DE IMPOSTO SOBRE AÇÚCAR DE BORDO... /todo o xarope canadense passou a ser usado na destilação/
Pág. 5=7. JAPÃO RESTRINGE NARCÓTICOS — Torna a produção na Coreia um monopólio estatal — Genebra, 22 de janeiro — O Japão notificou hoje a Liga das Nações de que a fabricação e a distribuição de narcóticos na Coreia foram retiradas das mãos de empresas privadas. (link) /"narcótico" é termo pejorativo sem definição científica/

23 de janeiro de 1929: Berkeley Daily Gazette, pág. 1. Planejado o uso de verbas para realizar um teste rigoroso da "Lei Seca" — por Cecil Owen —… (link)
Declara-se culpado de acusações de contrabando — SÃO FRANCISCO — 23 de janeiro — William L. Rosa, ex-funcionário do Tribunal Federal de Honolulu, declarou-se culpado hoje, perante o juiz federal Kerrigan, de violação da Lei antinarcóticos de Harrison (Harrison Narcotic Act). Rosa e três chineses foram denunciados ontem por contrabando de ópio de São Francisco para Honolulu… (link)

PITTSBURGH Post-Gazette, pág. 1. AGENTES FEDERAIS DA LEI SECA REALIZAM OPERAÇÕES NO DISTRITO DE FAULKNER — VINTE EQUIPES AGEM SIMULTANEAMENTE NO NORTE DA CIDADE — 32 PESSOAS SÃO PRESAS — Cerca de 20 supostos antros de venda ilegal de bebidas alcoólicas fechados em operações que envolveram 100 agentes — 100 agentes federais encarregados de fazer cumprir a Lei Seca realizaram uma varredura hoje na zona norte da cidade…(link)
NOTÍCIAS INTERNACIONAIS — JAPÃO NACIONALIZA INDÚSTRIA DE ENTORPECENTES — Governo retira a fabricação de narcóticos das mãos de empresas privadas — Genebra, 22 de janeiro — O Japão notificou hoje a Liga das Nações de que a fabricação e a distribuição de narcóticos na Coreia foram retiradas das mãos de empresas privadas e transformadas em um monopólio estatal.(link)
DISPUTA INTERNA ENTRE DEFENSORES DA LEI SECA PARTE PARA CONFLITO ABERTO — Bispos desafiam a diretoria da Liga Anti-Bares — McBride enfrenta resistência — Proposta de reestruturação sugere a entrada de Dinwiddie como diretor de legislação — WASHINGTON, 22 de janeiro — F. Scott McBride…(link)

* * * 
Direito ao voto para expatriados: a organização American Citizens Abroad (link) me enviou informações úteis sobre como cidadão americano pode se registrar para votar, por meio do "Federal Post Card Application" (formulário federal de solicitação de voto por correspondência) — basta preenchê-lo e envir para colocar em andamento. Trata-se de um formulário de solicitação de voto à distância, acompanhado de instruções, que pode ser obtido no site VoteFromAbroad.org (link).


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quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Décima-primeira reunião do ópio: Tolerâncias da intolerância 23JAN1929

 

A fronteira, outrora, protegia o México, o Canadá e a Europa contra a agressão dos EUA...  Isso mudou.

Genebra, na Suíça, viu-se, em janeiro de 1929, inundada por relatórios sobre a violência gerada por leis que criminalizam condutas sem vítimas, além de relatos fantasiosos sobre a importação e exportação de drogas — devidamente taxadas, licenciadas, autorizadas e legalizadas — provenientes de países cujos políticos manifestavam mais ou menos entusiasmo em enfiar a própria cabeça no laço do proibicionismo. O termo "discrepância" aparece dez vezes logo na primeira página da ata daquela reunião vespertina; após muita discussão acalorada e muita tinta gasta, chegou-se a uma "Santíssima Trindade" de diretrizes:

1. O Secretariado da Liga examinará todas as discrepâncias;
2. Todos os governos envolvidos devem ser repreendidos; e
3. A cada cinco anos, o Comitê deve verificar a precisão de um quadro estatístico internacional...
com um subitem (b) que conclui: "Nos relatórios estatísticos anuais — tanto os provisórios quanto os definitivos —, quaisquer dados dos quais surjam discrepâncias deverão ser assinalados com um asterisco." (*)

Na física, na química, na estatística e até mesmo na usinagem das pistolas de serviço da gendarmerie — utilizadas para cobrar as leis dos fervorosos defensores da repressão —, o termo "tolerância" refere-se à margem permitida para desvios em relação a padrões teóricos ou ideais; ou seja, discrepâncias. Uma consequência lógica de se marcar, com asteriscos, os relatórios sobre contrabando, remessas e apreensões — indicando a existência de discrepâncias — seria o enorme consumo de tinta que o Quarto Comitê da Liga (responsável pelo orçamento e pela contabilidade financeira) teria de justificar, caso essas pequenas tolerâncias exigissem asteriscos proporcionais aos absurdos inseridos nos relatórios nacionais. O dilema foi resolvido com a inclusão de uma subinstrução adicional no item (b), a saber: "Discrepâncias que não ultrapassarem as seguintes quantidades serão desconsideradas:

Ópio bruto    500 quilos
Morfina    100 quilos
Heroína    10 quilos
Cocaína    10 quilos."

Sob as regras do "clube dos cartéis" formuladas na época, meia tonelada de ópio acaba sendo tratada, de uma forma ou de outra, como um mero erro de arredondamento.

Para apaziguar mais um arroubo italiano, o presidente, um sérvio, recorreu ao Pacto da Liga das Nações, sugerindo que aquilo dava respaldo à diatribe de seu distinto colega. O Artigo 23 do Pacto — de autoria norte-americana — espelha parte do Artigo 23 do Tratado de Versalhes, conferindo à Liga a responsabilidade por aquela nobre "proibição" que, deixada sob a gestão de Haia, havia naufragado nas hostilidades balcânicas e mundiais. Ambos os documentos eram frequentemente invocados como base jurídica para o uso irrestrito da força e para a inclusão contínua de novas substâncias na lista de "drogas" a serem restringidas em escala global — e que se danem as consequências econômicas! Desde fevereiro de 1920, o Tratado de Versalhes, em sua totalidade e em todos os seus desdobramentos, também vinha sendo alvo de denúncias por parte de um só partido socialista alemão — uma agremiação tão inexpressiva que podia ser ignorada sem maiores preocupações... por enquanto. 

Alguns itens, autorizados para exportação em 1927 pela Sûreté francesa, foram apreendidos na China — país que, segundo documentos da Liga das Nações, não teria implementado o sistema de certificados de importação para entorpecentes. Essa omissão tornava tais remessas para a China legais, sob a ótica dos padrões europeus. Foi então que "King-Ky" — um chinês cujo nome aparece grafado de formas diferentes em diversos documentos da Liga — interveio, negando ter conhecimento dos fatos adicionais. King-Ky alegou que o governo chinês tinha adotado o sistema "em princípio"; se o Ministério do Interior não tomara providências, era porque a China estava "de mãos e pés atados por tratados desiguais", e as autoridades estrangeiras locais não respondiam às suas indagações. Segundo ele, tudo isso criava uma obrigação moral para os estrangeiros: o de alterar os fatos e corrigir o documento francês. Ao ser informado de que a lista fora elaborada pela Liga das Nações, e não pela França, Kinky apontou um trecho em documento francês citando a referida lista e exigiu que o Comitê fizesse as devidas correções — assim, ele poderia apresentar o fato como prova de que o Comitê havia se inclinado com bondade, ajudado a China. A situação ficou clara: os europeus entenderam que, na visão daquele representante, qualquer problema ocorrido era, por definição, culpa deles, e não da China. O governo do Kuomintang, na China, estava no poder fazia apenas um ano. Sem posição consolidada, estava numa situação delicada.

Notícias das Américas chegavam aos jornaleiros de Nova York na madrugada — por volta da hora do almoço em Genebra. Ali, os jornais do dia anterior eram a única fonte de informação que os conferencistas tinham sobre o Ocidente. Sob a manchete "DECISÃO SOBRE VOZ DE PRISÃO NA FRONTEIRA AGUARDADA", a Montreal Gazette de 22 de janeiro noticiou que agentes da alfândega e imigração dos EUA detiveram e prenderam um cidadão canadense a cerca de um metro dentro do território canadense. O indivíduo foi acusado de contrabandear gregos indocumentados para os Estados Unidos. Ele atravessou o batente da porta de uma loja situada exatamente na linha de fronteira antes de ser agarrado, algemado e arrastado para o lado americano.(link) Na mesma página, a matéria "PRIMEIRO MINISTRO DO JAPÃO ANALISA POLÍTICA EXTERNA" traz uma entrevista séria com o Barão Tanaka sobre questões internacionais, com destaque para a presença japonesa na Manchúria.(link) Na mesma folha, no Afeganistão, uma efígie de "Lawrence da Arábia" foi queimada, e em Genebra os representantes do Canadá na Liga das Nações receberam agradecimentos pela sua participação.

Na página 2, lê-se que CAI O NÚMERO DE DEPENDENTES QUÍMICOS NOS EUA— Relatório Apresentado à Liga das Nações Defende a Repressão em Países Estrangeiros para Cortar o Contrabando... e revela que, segundo estimativas, um em cada mil americanos seria "dependente químico". Na página 29, a expressão "FECHAMENTO IRREGULAR NA BOLSA DE NOVA YORK" — no jargão de Wall Street — significa uma queda acentuada, com um volume de 4.897.500 ações negociadas (sem um piu sequer de que, 27 páginas antes, um figurão japonês manifestara "forte apoio à ideia americana de limitar a fabricação de entorpecentes"). Por fim, "PRESSÃO SOBRE O MARCO ALEMÃO" — A moeda alemã sofreu uma leve desvalorização cambial hoje, atribuída às taxas de juros baixas na bolsa de Berlim. Se a situação persistir, muitos acham que poderia ocorrer uma retirada expressiva de capital estrangeiro de Berlim..." Mediante omissão astuta, essa notícia transmite a ideia de que a ameaça dos EUA e da Liga das Nações — de forçosamente impor limites e regulamentações que restringiriam a produção da indústria farmacêutica alemã — não teria absolutamente nenhum impacto econômico ou financeiro. Afinal, se tal fator figurasse como causa de crises, recessões, desemprego ou guerras, aquilo certamente faria parte de qualquer análise honesta, não é? Não. Quaisquer hipóteses contrárias foram descartadas com desdém, recorrendo-se pelo contrário a supostas lacunas em gráficos de equações diferenciais de taxas de juros, — algo que, mesmo se explicado em detalhes, só seria compreensível para uma pequena elite. Esse mesmo truque continua funcionando até hoje. 



Jardinagem: Curitiba anda invadida de rosetas--praga no gramado que produz pequenos espinhos que doem no dedo se arrancar, até mesmo com luvas. Com cola instantânea preguei pequenos pedaços daquele limpador de panelas da 3M, ou lixa para metais, nas pontas das luvas emborrachadas. Uso um gancho de desossa para afrouxar a terra em torno das raízes e assim, com as luvas reforçadas, é fácil arrancar essa praga.  



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quarta-feira, 28 de outubro de 2026

1929, décima reunião de ópio da liga

 

Os membros do comitê estão examinando os relatórios anuais sobre drogas enviados à Liga das Nações, quase todos referentes a 1927.

Genebra, Suíça, 23 de janeiro de 1929: O representante suíço, Dr. Carrière, deu o tom da discussão ao assumir que os dados da Suíça referentes à morfina estavam incompletos; em resposta, o presidente da sessão mencionou uma data incorreta para a entrada em vigor da Convenção de Genebra sobre Drogas. O representante da França reconheceu a existência de erros nos números relativos às importações de heroína, justificando-os como estoques remanescentes de 1926. Também foram relatadas incorretamente as quantidades de drogas enviadas da Suíça para os territórios sob controle japonês em Kwantung, na China — territórios que o Japão herdara dos alemães como parte dos acertos de contas da Primeira Guerra Mundial. O representante japonês, contudo, assegurou ao seu colega que os números estavam corretos, desde que analisados ​​sob a perspectiva adequada. Na sequência da reunião anterior — na qual vieram à tona discrepâncias tão desencontradas que chegavam a ser cômicas —, esses debates levaram à discussão do item 302: como o Secretariado da Liga das Nações deveria reagir a dados obviamente incorretos apresentados nos relatórios recebidos? O mecanismo estabelecido em 1925, ao que tudo indicava, não estava funcionando.

O exaltado senador italiano aproveitou a deixa para tecer críticas e apoiou a sugestão de um colega para incluir notas de rodapé a título de interpretação — ressalvando, porém, que não pretendeu cobrar censura do Secretariado. Acrescentou, ainda, que seria necessário recorrer a estatísticas técnicas específicas, a fim de evitar que dados incorretos comprometessem a percepção da qualidade do trabalho da Liga; ao mesmo tempo, elogiei a abordagem adotada pelo "Conselho Central" — uma criação norte-americana — para essas considerações, apontando-a como um modelo a ser seguido. Intervindo em nome da Seção do Ópio, o professor Hall notou que os documentos contendo discrepâncias não eram de circulação pública; portanto, a possibilidade de uma repercussão negativa em uns trinta casos não constituía uma preocupação imediata, e os protocolos foram devidamente aplicados. O senador Cavazzoni, contudo, manifestou sua inquietação: seria preciso esperar até 1929 — seis anos após o início dos trabalhos do Comitê — para que houvesse um esclarecimento maior sobre as estatísticas! Quando o representante da Índia informou que o relatório da Itália havia chegado com vários meses de atraso, o senador reagiu com um mau humor birrento, indignado com a simples ideia de que o seu país pudesse ter alguma parcela de culpa nas discrepâncias que ele tanto criticava.

A bem da verdade, o ano de 1929 confirmava o que todos os que conheciam o comércio de produtos farmacêuticos anteviram em 1924! O representante dos Países Baixos, Van Wettum, elaborou uma análise dos problemas relacionados à coca e à cocaína — produtos pelos quais os Países Baixos haviam optado no século anterior, por considerá-los menos exploratórios e nocivos do que o ópio. Seu plano propunha uma redução de 10% na produção (para apaziguar os americanos mais radicais), mas previa a criação de um cartel ao estilo europeu e a supressão da concorrência da cocaína sintética — seguindo o mercantilismo à moda de Adam Smith. Os europeus que elaboraram propostas alternativas não acreditavam que a coerção fosse capaz de produzir estatísticas fidedignas. Outros europeus redigiram planos e minutas de tratados, mas nenhum destes atendia às exigências americanas.

Em 25 de maio de 1923, o bispo Brent declarou ao Comitê Consultivo sobre o Ópio da Liga das: "Nesta ou em qualquer outra questão relativa ao bem-estar humano, se permitirmos que a receita ou o lucro financeiro desempenhem qualquer papel — exceto o de humilde servidor da ciência, da moral e da religião —, isso se torna uma influência degradante, que corrompe a mente dos homens e perverte a sua moral. [...] O dinheiro é, de fato, a raiz de todo o mal. Isso vale tanto para os indivíduos quanto para os governos". Essa foi a sua maneira de preparar o terreno para a proposta americana de "curar" europeus e asiáticos — assim como a técnica de afogamento simulado (waterboarding) dos americanos "curou" os filipinos... Os europeus entenderam que fanáticos assumiram o poder nos Estados Unidos. Em 5 de fevereiro de 1923, o relatório da 4ª Sessão do Comitê Consultivo sobre o Ópio — que mencionava a limitação da produção — foi aprovado pelo Conselho da Liga. A 4ª Sessão tivera início em 4 de janeiro de 1923; enquanto isso, a hiperinflação alemã intensificou-se, antes de os delírios do bispo eliminarem qualquer dúvida sobre o dilema. Os alemães recordavam-se de que, desde a aprovação da lei antidrogas Jones-Miller, em 26 de maio de 1922, o Artigo 23 do Tratado de Versalhes vinha sendo instrumentalizado — da mesma forma que a Convenção de Haia fora transformada em arma após a promulgação da lei antidrogas de Harrison em 1914. A seguir, veio a Primeira Guerra Mundial.

Leitura e mídia interessantes: Opium to Java, de James Rush — obra que li há muito tempo. O Google agora a disponibiliza como um "Google Book" (link). Fiquei surpreso ao descobrir que os holandeses, no período colonial, passaram a ver a receita proveniente do ópio com desilusão, considerando-a uma "afronta a uma nação cristã"; por isso, optaram por substituir a cultura pelo cultivo de arbustos de coca, trazidos da América do Sul. A revista National Geographic abordou a produção de coca nas Índias Orientais Holandesas e o cultivo de ópio nos Bálcãs, no mesmo cenário em que as campanhas sino-americanas de proibição desencadeavam crises econômicas e políticas que culminaram na Primeira Guerra Mundial. Isso incluiu artigos escritos por Herbert Hoover. Contudo, os algoritmos de busca são programados para simular incompreensão e marginalizar pesquisas sobre o tema. Por fim, fiz a busca específica: "Alguma vez foi cultivada coca em Java?". O feitiço foi quebrado, revelando este vídeo no YouTube no qual não sei se a tradução automática funciona:



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Nona reunião de 1929 do grupo antidroga da Liga das Nações

 

Mussolini: aos meus compatriotas, empenhados em engrandecer a América.

  
A 9ª reunião sobre o ópio, realizada em 22 de setembro em Genebra, começou com análises tediosas de tabelas estatísticas referentes ao ópio bruto, extraídas de relatórios de 1927. Discrepâncias — como uma diferença de 7 toneladas entre os números das exportações de ópio da Índia para Hong Kong e as importações ali declaradas — apresentavam erro de 80%. Segundo um especialista, isso foi porque apenas 21 toneladas haviam passado despercebidas — um erro honesto. Outra investigação do gênero revelou que toda a morfina fabricada na Índia era proveniente de ópio confiscado e de resíduos da lavagem das cubas.

O relatório da Pérsia foi mais extravagante. Registravam 360 toneladas exportadas para a Grã-Bretanha em 1926 e 0,8 tonelada em 1927, ao passo que os registros britânicos apontavam que zero gramas havia sido importado nos casos — fato que deixou o senador italiano perplexo. O representante inglês explicou que a Grã-Bretanha e o Império Britânico eram entidades distintas e que Sarawak e os Estabelecimentos dos Estreitos (Straits Settlements), próximos a Singapura, haviam importado 146 toneladas, o que aproximou consideravelmente os dois conjuntos de números. O representante da Índia informou que as estatísticas persas apontavam grandes exportações para a Índia, os Países Baixos e a França, ano após ano; contudo, a Índia não havia importado absolutamente nada, e os demais números também não passavam de invenções. Outros dados — como os referentes ao Território arrendado de Kwantung, na China (tomado dos alemães e entregue ao Japão após a Primeira Guerra Mundial) — também se mostraram obscuros demais para serem considerados confiáveis. Da mesma forma, os números relativos ao "ópio medicinal" apresentavam divergências entre as diferentes versões. No caso dos sais de morfina comercializados entre a França e a Suíça, havia uma diferença de 2,3 toneladas; contudo, discrepâncias dessa ordem foram justificadas por questões como métodos de contabilidade e a distinção entre peso bruto e peso líquido, o que resultou em margens de diferença menores. Curiosamente, a França importava toda a sua codeína da Suíça e da Alemanha.

O senador italiano aí quis colocar o Japão em saia justa, mas foi rebatido, pois tudo aquilo já havia sido cuidadosamente explicado — com riqueza de detalhes — nos relatórios japoneses de 1924. De fato, foi em 24 de abril de 1924 — quinze anos e milhares de marchas da Ku Klux Klan após a conquista do campeonato de boxe por Jack Johnson — que o representante holandês, Van Wettum, explicou minuciosamente, que, no que tange à cocaína (por cuja "dependência" nunca havia internamento hospitalar), uma legislação impraticável logo suscitou setor de contrabando que, segundo ele, seria permanente, e que "os pesos envolvidos não se definiam de forma confiável". Esses relatórios fake de 1927–1929 confirmaram as previsões que ele havia feito cinco anos antes. Frustrado, o Comitê entrou em sessão fechada.

O próximo item repetia a mesma limitação da produção global que os americanos defendiam em 1924, desfilando agora em novo modelito, apelidado de "Plano Crane". O senador italiano, sem bater olho no conteúdo, declarou sua "calorosa e sincera aceitação do plano recebido do governo dos Estados Unidos". O representante japonês lembrava de que haviam recebido carta a esse respeito no ano anterior, só que o Sr. Crane escrevera posteriormente confessando que a ideia fora concebida por um certo Sr. Blanco, da Seção de Ópio de Genebra. Com isso o Sr. Sato puxou da manga cartas do governo holandês e do chefe da Liga das Nações nas quais que o próprio Crane assumia que a ideia não era sua. O senador italiano nem quis saber da autoria, pois se os EUA diziam que era deles, ele acreditava — e isso para ele encerrava o assunto. Outros achavam desonesto a imprensa chamar aquele plágio de "plano americano". O exaltado senador cobrou uma votação para incluir a proposta na pauta o quanto antes. Perdeu na votação, apesar do apoio do representante chinês Wang-King-Ky — cujo nome aparece grafado de formas diferentes em diversos documentos, mas cuja voz era tão estridente quanto a do senador Cavazzoni.

Leitura: O PAPA DE HITLER, a história secreta de Pio XII, por John Cornwell, Tradução de A.B. Pinheiro de Lemos. Você alguma vez tentou provar que o adversário estava errado e acabou mudando de ideia após muita pesquisa? Aconteceu comigo e aconteceu com o autor desse livro--um católico que quis defender o papado das caluniósas acusações dos críticos--e acabou mudando de posição. Quando menino fui obrigado a rezar pelo mesmo papa, cujo nome correto eu nem sabia. Tudo o que sabia sobre os nacionalsocialistas alemães aprendi nos gibis de guerra americanos, ou seja, nada. Foi uma surpresa descobrir o que esse livro revela sobre as negociações da concordata e desdobramentos na interface do Vaticano e o 3º Reich naqueles anos tensos. Foi na versão livro falado que soube dessa estória, e na largada a tradução parecia que não batia com o prolegômeno narrado pela voz singular de Michael Page, que narrou pelo menos uma das obras de George Orwell. Fui ver e realmente o prefácio em português é o que me lembrei, mas o prólogo é um tanto diferente  desta amostra que achei na Amazon.(link) Escolha audiobook e clique em Preview para ouvir o trecho. Enfim, comprei do sebo Reviravolta Livros e fiquei contentíssimo com esta versão. 


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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

1929--8ª reunião da Comissão do ópio da Liga das Nações

 

Essa droga nada irritante à garganta não constava da pauta oficial senão como cultura subsidiada pelos governos para substituir o plantio da dormideira ou da coca. As jovens apontadas como garotas-propaganda, que fumavam o produto para manter a silhueta esbelta, logo morreram de hipertensão pulmonar, cardiopatia reumática ou problemas nas amígdalas (link). Não perca os musicais... (link)

Terça-feira, 22 de janeiro de 1929, Genebra, Suíça — O representante suíço Carrière apontou que a produção de morfina na Suíça havia caído 53% em 1927 em relação a 1926, e da heroína, 6% no mesmo período. Os números suíços referentes à cocaína eram "muito baixos e provavelmente diminuiriam ainda mais". O fiscal dos EUA junto ao Conselho Permanente irritou-se com o relatório dos Países Baixos — que, assim como o relatório suíço, começou sendo sigiloso—, mas foi assegurado de que o motivo da sua apresentação resumida fora o atraso, e não o sigilo. Os Países Baixos não forneceram praticamente nenhuma informação, e os fiscais do Conselho Central Permanente viram-se reduzidos a perguntar por que apenas 17 quilos de morfina haviam sido produzidos — sem, contudo, obter qualquer explicação.

Chegou a vez de Chosen — hoje chamada de Coreia — cair sob o escrutínio. Naturalmente, o Sr. Sato, do Japão, respondeu em nome desse território sob tutela de seu Estado político e logo descartou as indagações sobre a Taisho Drug Manufacturing Co., explicando que a empresa fora obrigada a suspender as operações e estaria respondendo à Suprema Corte. Isso encerrou qualquer possibilidade de discutir detalhes específicos; assim, o porta-voz e tutor da Coreia mudou habilmente de assunto para um plano admirável de monopólio estatal da morfina, nos moldes daqueles praticados por nações europeias com suas populações coloniais. Em toda a Coreia, segundo informaram os especialistas imparciais, havia apenas 5.000 dependentes — todos, ou quase todos, viciados em morfina. Esses "morfinômanos" recebiam tratamento em regime de rodízio, e a expectativa era de que tudo isso ficaria extinto em um prazo de dez anos. Sua retórica era tão fluida que ninguém contestou a impressão transmitida de que a coca e a cocaína estariam totalmente desconhecidas em uma ilha nada distante de Java e Sumatra — onde o ópio havia sido erradicado e a produção de coca, por quase duas décadas, deixara no chinelo a da América do Sul.

O italiano nervosinho não dectou erros na narrativa de Sato, mas continuava duvidando de que o racionamento de drogas por meio de um monopólio fosse coisa positiva. Ele levantou o habitual fantasma da vulnerabilidade a indivíduos que "se enriqueciam com esse mal que afligia a humanidade" mas logo maneirou, dizendo estar confiante de que essa "parcela vergonhosa da humanidade" seria mantida à margem das operações. A discussão abordou os métodos de cura japoneses. Durando de 6 a 22 dias, pareciam mais céleres do que o tratamento inglês para dependentes de opiáceos. Após o Sato expor a produção de morfina prevista para a Coreia — considerada insignificante —, um delegado suíço, que insistia (na qualidade de médico) que a codeína não causava dependência, tentou extrair detalhes clínicos mencionando que a cocaína, utilizada como cura para o vício em morfina, apenas transformara morfinômanos em "dependentes" de cocaína — figura essa que os japoneses sabiam perfeitamente não existia. Logo perdeu toda a credibilidade ao afirmar que o alcoolismo e a dependência eram fenômenos psicológicos, defendendo tanto a redução gradual quanto a interrupção abrupta como "o único tratamento" que apresentara "resultados positivos". O delegado de Portugal, um "ex-professor de medicina", manifestou sua concordância, e os participantes, ao que tudo indica, conseguiram manter a cara limpa.

Em seguida, examinou-se a situação da Grécia, fronteiriça com a Turquia, a Bulgária e a Sérvia — todas produtoras de ópio. Os gregos detinham um lucrativo monopólio desta seiva e compartilhavam uma de suas "zonas francas" com a Sérvia. Quando se constatou que os números de importação da Grécia e de exportação da Sérvia coincidiam perfeitamente, ficou claro que não adiantava tentar pegá-los em contradições; o relatório sobre a Pérsia foi prontamente aberto.

A Pérsia, exportadora de ópio, boicotou o tabaco em 1907, ano em que os EUA se apressavam em aprovar leis estaduais e federais para restringir todas as demais drogas e bebidas. Incapaz de pagar seus gendarmes, o governo persa elaborou uma constituição e contratou um banqueiro americano para desenvolver ali um sistema fiscal e bancário — incluindo tarifas sobre entorpecentes — e, por isso mesmo, foi invadida pela Rússia cristã em 1911, ano da guerra civil chinesa. Pressionada, a Pérsia assinou a Convenção do Ópio de Haia "com ressalvas" em 1912. A ocupação britânica no pós-guerra apenas intensificou o desprezo persa pelos intrometidos euro-americanos e a admiração pelo Japão. A Pérsia, a Turquia e a Rússia Soviética ainda resistiam à adesão à Liga das Nações; contudo, a Pérsia figurava como membro do Conselho. Tanto os fiscais do Conselho Permanente quanto os delegados europeus ligados ao refino de drogas leram, com pavor evidente, sobre os planos da Pérsia de instalar sua própria fábrica de morfina. As fábricas existentes já refinavam muito mais morfina do que os proibicionistas americanos consideravam necessário para as necessidades globais "legítimas". O representante do Japão desviou o foco da discussão ao mencionar planos dos turcomenos de cultivar papoulas a leste do Mar Cáspio, enquanto o representante da Grã-Bretanha farfalhava propostas e memorandos antigos e acrescentava críticas indignadas--mas acabou sendo acalmado pela opinião da Secretária de que tais planos dificilmente sairiam do papel.

A reunião seguinte teria início na tarde de terça-feira, 22 de janeiro.

Leitura: Atas das duas Convenções do Ópio de Genebra (e de tudo o mais, exceto cigarros). Para minha surpresa, o projeto se desdobrou em 38 reuniões primárias – três vezes isso em reuniões auxiliares – e durou quase 70 dias, cobrindo 500 páginas em letras miúdas e tamanho ofício. Os faniquitos de alguns dos conferencistas mais histéricos tornaram pitorescos os procedimentos, e os resultados -- inclusive o linchamento fanático do cânhamo de maconha -- repercutiram nessas reuniões de 1929 que estamos revisitando. Estas reuniões de 1929 revelarão os seus próprios chiliques e e faniquitos com o correr do tempo, isso eu garanto. Encontrei estas informações em uma universidade na Índia. Os registros da Liga na Genebra são mais embaçados e a sua inclusão da versão francesa aumenta o peso de cada arquivo. 

Acabei comprando uma selfie light da Evershop na Amazon e retomei a fotografia dos últimos seis meses do Peking Daily News de 1912. O equipamento quase exige o uso de uma alavanca para encaixar o celular na presilha, que é muito apertada, e tive que usar uma lupa de relojoeiro para ler as instruções do acionador Bluetooth, mas funciona sem a vibração do meu dedo no celular suspenso. Em uma foto de teste, a primeira coisa que notei foi um anúncio de cigarros egípcios de julho de 1912. Sua importância ficará mais clara quando examinarmos os registros da Convenção de Genebra de 1924-25.

Alguns fatos interessantes sobre a fabricação industrializada dos cigarros: (link)

Instruções em português para preencher o formulário de asilo i589, um dólar no formato Kindle que você lê no celular (link) 



 Quer saber a causa do Crash de 1929 e da Depressão da década de 1930? Leia.

ALeiSeca0619

Para melhorar o seu inglês, nada como a minha polêmica tradução de O Presidente Negro (O Choque das Raças) de Monteiro Lobato: America's Black President 2228. Na Amazon (link)

Blog americano... www.libertariantranslator.com 


Blog financeiro e jurídico... LIBtranslator 

  

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