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Mussolini: aos meus compatriotas, empenhados em engrandecer a América.
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A 9ª reunião sobre o ópio, realizada em 22 de setembro em Genebra, começou com análises tediosas de tabelas estatísticas referentes ao ópio bruto, extraídas de relatórios de 1927.
Discrepâncias — como uma diferença de 7 toneladas entre os números das exportações de ópio da Índia para Hong Kong e as importações ali declaradas — apresentavam erro de 80%. Segundo um especialista, isso foi porque apenas 21 toneladas haviam passado despercebidas — um erro honesto. Outra investigação do gênero revelou que toda a morfina fabricada na Índia era proveniente de ópio confiscado e de resíduos da lavagem das cubas.
O relatório da Pérsia foi mais extravagante. Registravam 360 toneladas exportadas para a Grã-Bretanha em 1926 e 0,8 tonelada em 1927, ao passo que os registros britânicos apontavam que zero gramas havia sido importado nos casos — fato que deixou o senador italiano perplexo. O representante inglês explicou que a Grã-Bretanha e o Império Britânico eram entidades distintas e que Sarawak e os Estabelecimentos dos Estreitos (Straits Settlements), próximos a Singapura, haviam importado 146 toneladas, o que aproximou consideravelmente os dois conjuntos de números. O representante da Índia informou que as estatísticas persas apontavam grandes exportações para a Índia, os Países Baixos e a França, ano após ano; contudo, a Índia não havia importado absolutamente nada, e os demais números também não passavam de invenções. Outros dados — como os referentes ao Território arrendado de Kwantung, na China (tomado dos alemães e entregue ao Japão após a Primeira Guerra Mundial) — também se mostraram obscuros demais para serem considerados confiáveis. Da mesma forma, os números relativos ao "ópio medicinal" apresentavam divergências entre as diferentes versões. No caso dos sais de morfina comercializados entre a França e a Suíça, havia uma diferença de 2,3 toneladas; contudo, discrepâncias dessa ordem foram justificadas por questões como métodos de contabilidade e a distinção entre peso bruto e peso líquido, o que resultou em margens de diferença menores. Curiosamente, a França importava toda a sua codeína da Suíça e da Alemanha.
O senador italiano aí quis colocar o Japão em saia justa, mas foi rebatido, pois tudo aquilo já havia sido cuidadosamente explicado — com riqueza de detalhes — nos relatórios japoneses de 1924. De fato, foi em 24 de abril de 1924 — quinze anos e milhares de marchas da Ku Klux Klan após a conquista do campeonato de boxe por Jack Johnson — que o representante holandês, Van Wettum, explicou minuciosamente, que, no que tange à cocaína (por cuja "dependência" nunca havia internamento hospitalar), uma legislação impraticável logo suscitou setor de contrabando que, segundo ele, seria permanente, e que "os pesos envolvidos não se definiam de forma confiável". Esses relatórios fake de 1927–1929 confirmaram as previsões que ele havia feito cinco anos antes. Frustrado, o Comitê entrou em sessão fechada.
O próximo item repetia a mesma limitação da produção global que os americanos defendiam em 1924, desfilando agora em novo modelito, apelidado de "Plano Crane". O senador italiano, sem bater olho no conteúdo, declarou sua "calorosa e sincera aceitação do plano recebido do governo dos Estados Unidos". O representante japonês lembrava de que haviam recebido carta a esse respeito no ano anterior, só que o Sr. Crane escrevera posteriormente confessando que a ideia fora concebida por um certo Sr. Blanco, da Seção de Ópio de Genebra. Com isso o Sr. Sato puxou da manga cartas do governo holandês e do chefe da Liga das Nações nas quais que o próprio Crane assumia que a ideia não era sua. O senador italiano nem quis saber da autoria, pois se os EUA diziam que era deles, ele acreditava — e isso para ele encerrava o assunto. Outros achavam desonesto a imprensa chamar aquele plágio de "plano americano". O exaltado senador cobrou uma votação para incluir a proposta na pauta o quanto antes. Perdeu na votação, apesar do apoio do representante chinês Wang-King-Ky — cujo nome aparece grafado de formas diferentes em diversos documentos, mas cuja voz era tão estridente quanto a do senador Cavazzoni.
Leitura: O PAPA DE HITLER, a história secreta de Pio XII, por John Cornwell, Tradução de A.B. Pinheiro de Lemos. Você alguma vez tentou provar que o adversário estava errado e acabou mudando de ideia após muita pesquisa? Aconteceu comigo e aconteceu com o autor desse livro--um católico que quis defender o papado das caluniósas acusações dos críticos--e acabou mudando de posição. Quando menino fui obrigado a rezar pelo mesmo papa, cujo nome correto eu nem sabia. Tudo o que sabia sobre os nacionalsocialistas alemães aprendi nos gibis de guerra americanos, ou seja, nada. Foi uma surpresa descobrir o que esse livro revela sobre as negociações da concordata e desdobramentos na interface do Vaticano e o 3º Reich naqueles anos tensos. Foi na versão livro falado que soube dessa estória, e na largada a tradução parecia que não batia com o prolegômeno narrado pela voz singular de Michael Page, que narrou pelo menos uma das obras de George Orwell. Fui ver e realmente o prefácio em português é o que me lembrei, mas o prólogo é um tanto diferente desta amostra que achei na Amazon.(
link) Escolha audiobook e clique em Preview para ouvir o trecho. Enfim, comprei do sebo Reviravolta Livros e fiquei contentíssimo com esta versão.
Instruções em português para preencher o formulário de asilo i589, um dólar no formato Kindle que você lê no celular (link)
Quer saber a causa do Crash de 1929 e da Depressão da década de 1930? Leia.
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