| Violentas revoltas na China, Mussolini caçando encrenca nos países que exportavam o ópio em 1927... (link) Parece boa coisa? 21 de janeiro de 1929: Na 7ª reunião do Comitê Consultivo sobre o Ópio da Liga das Nações, em Genebra, as informações mais relevantes vieram da Sérvia. Renomeado como Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos e cena do atentado ao Arquiduque Francisco Ferdinando, em 1914. Esse evento transformou as Guerras do Ópio nos Bálcãs — que já estavam em curso — em uma Primeira Guerra Mundial em toda a sua plenitude, protagonizando uma das sequências de causalidade mais distorcidas por omissões na história. Em nome do Reino, o Sr. Militchevitch pediu desculpas pelo atraso na entrega do relatório de estatísticas sobre drogas de 1927 e — citando Danton com ironia — observou que seu artigo na Economic Review, sobre como as medidas de repressão da Liga haviam aumentado os lucros dos produtores de ópio dos Balcãs, custara ao Reino sua vaga no Conselho Central Permanente do Ópio--órgão dominado pelos EUA. As atividades da Liga e a inviabilidade das plantações de tabaco haviam impulsionado significativamente as vendas regionais de ópio; a colheita de papoula da Sérvia em 1928 fora excepcionalmente farta — algo em torno de 200 toneladas de ópio, enquanto os baixos preços do tabaco eliminaram essa planta como cultura alternativa. Ainda restavam 80 toneladas de ópio como superávit estocado na Sérvia. No entanto, a vantajosa divulgação promovida pela Liga havia colocado os produtores locais em contato com importadores estrangeiros, e a maior parte da droga exportada em 1928 fora destinada à Alemanha, Suíça, Inglaterra e aos EUA — um novo cliente! Ainda assim, Militchevitch gabava-se de que a produção de ópio no sul da Sérvia representava apenas metade do volume registrado antes da Guerra. Nem houve surpresa quanto a isso. Após o boicote, a China havia revertido, em 1906, sua política de cultivo generalizado de papoulas, politica que visava evitar as importações que enfraqueciam a moeda no regime de proibição absoluta. Esse desmatamento tranquilizou os políticos americanos, assegurando-lhes que não estavam só sendo manipulados para enriquecer o monopólio interno de ópio da China. Resultou a Revolução de 1911, que derrubou a dinastia Qing. Essa revolta substituiu o Império por caudilhos rivais de nacionalistas e comunistas. Relatos do Peking Daily News descreveram como os portos chineses excluíram as cargas de ópio estrangeiro a partir de 1912, cortando efetivamente a renda dos fazendeiros de papoula dos Bálcãs. O pânico econômico resultante agravou as tensões tribais entre cristãos e muçulmanos, e historiadores financiados por Carnegie num instante rotularam a agitação resultante como "Guerras dos Bálcãs" — isso em vez de reconhecer os primeiros choques da Terceira Guerra do Ópio. Por que, afinal, os políticos republicanos dos EUA assumiriam responsabilidade por empurrar o mundo para nova guerra do ópio? Ao ceder às exigências do boicote chinês de 1905, os republicanos queriam restabelecer as exportações para a China a fim de não perder o voto dos agricultores. Esperava-se que as exportações de grãos e algodão mantivessem os preços dos cereais suficientemente altos para apaziguar os agricultores, evitando assim nova vitória presidencial democrata — como a de 1892, impulsionada por pautas contra o repressionismo carola. Como poderiam os republicanos, defensores da repressão, saber que proibir a produção e o comércio leva a pânicos, recessões, desemprego, colapsos de mercado e guerra? Assim, catorze anos depois, na Genebra do pós-guerra, constatou-se que a Sérvia — exportadora do ópio mais forte do mundo — havia lucrado enormemente graças à publicidade gerada pela Liga. O reino, que passara por sucessivas mudanças de nome e se livrara do domínio austríaco e otomano, detinha agora um estoque de 80 mil quilos do ópio mais caro do planeta, contendo 14% de morfina. Um belo negócio, para quem consegue. Os negociadores sérvios conseguiram emplacar um representante próprio no Conselho Central, conforme registrado na reunião do Comitê Consultivo sobre o Ópio realizada em 18 de fevereiro de 1925. Os fabricantes americanos de cigarros teriam de buscar alhures fornecedores de tabaco barato e subsidiado. Leitura: Nova tradução da Ayn Rand: Nós que Vivemos (link). Tenho esse em espanhol bem traduzido. Inclusive um dos trechos da edição original sobrevive num comentário da protagonista. Por remeter muito ao Friedrich Nietzsche (que apelidava de objetivistas muitos dos seus leitores) o parágrafo foi substituído por outro menos contundente. Nem sei qual das versões do trecho polêmico sobreviveu na versão brasileira, mas o livro é bom. Por coincidência acabo de ler POLOSTAN, romance histórico de espionagem atômica após a Primeira Grande Guerra. O problema é que esse autor escreve num inglês líquido de tamanha fluência que dá dó pensar no coitado que se meterá a traduzir aquilo. Por outro lado, essa obra da Ayn data da década de 1930, antes mesmo da Segunda Guerra. Demorou mas veio. Tratado de Versalhes (link) só que em inglês. Até hoje só achei uns trechos-imagem em alfacinha lisboeta que nem para converter não dá. Chamo atenção ao artigo 23 que exculpa os americanos de juntamente com os chineses terem causado os problemas nos Bálcãs com atrocidades a civis. Este artigo--repetido na carta da Liga das Nações sob o mesmo nº--eu aponto como a causa subjacente da Segunda Guerra mundial. Instruções em português para preencher o formulário de asilo i589, um dólar no formato Kindle que você lê no celular (link)
Para melhorar o seu inglês, nada como a minha polêmica tradução de O Presidente Negro (O Choque das Raças) de Monteiro Lobato: America's Black President 2228. Na Amazon (link) Blog americano... www.libertariantranslator.com Blog financeiro e jurídico... LIBtranslator Comente... |


