| Na noite de 21 para 22 de novembro de 1928, a polícia de Xangai e uma guarnição militar disputaram posse de 567 kg de ópio.(link) Na manhã seguinte, o volume de negociações na Bolsa de Nova York bateu recordes com quedas acentuadas e fechamentos do mercado no sábado. (NYT 22, 24NOV1928) A reportagem foi suprimida até 20JAN1929 (NYT 8E), mas esta charge antecipou no jornal de Berkeley a divulgação de NY. (link) Question Mark é nome de um teco-teco famoso. Duncan Hall, membro da Seção do Ópio e sindicalista chegado à Liga, mencionou, chocado, uma referência, aliás, uma "declaração escrita" sobre o consumo de drogas perigosas na Grã-Bretanha, feita no sábado, 19 de janeiro de 1929, em Genebra. Aproveitando, Sir John Campbell (Índia) resmungou--apontando uma nota de esclarecimento que afirmava que não havia surgido nenhuma prova oficial de que drogas britânicas tivessem sido encontradas no mercado informal. Outros presentes recordavam da sessão de quatro anos antes, na qual a Sra. Hamilton Wright exibiu um exemplar do Anuário Indiano como prova de que arbustos de coca eram cultivados naquela colônia.(link) Isso também foi descartado como "não oficial". O "Sir indiano" prosseguiu enfatizando "o fato estabelecido e incontestável" de que a morfina fabricada na Índia e exportada para a Grã-Bretanha caía sob "controle rigoroso e eficiente" e certamente não poderia entrar no comércio ilícito. Nenhum dos narcotraficantes ou consultores americanos presentes ofereceu visão equivalente americana ou chinesa. Ambos países afogavam nas drogas que haviam proibido mediante decapitações, tortura, prisões em massa, confisco, difamação e tiroteios. Chamar atenção às suas prisões--repletas de agentes, inspetores alfandegários, guardas costeiros e agentes fiscais renegados--talvez seria anti-diplomático. |
O representante da Grã-Bretanha comentou sobre a menção, no relatório, de nova fábrica de cocaína inglesa, isso para frisar que sua produção se destinava estritamente a usos médicos e científicos e à redução das importações estrangeiras. Quanto à codeína, que aos olhos americanos seria o Quarto Cavaleiro do Apocalipse por escapar das regulamentações de Haia e da Liga das Nações, suas exportações, para tristeza de Sir Malcolm, foram consideradas "quase insignificantes".
O Sr. Lyall, atento observador colaboracionista dos EUA nessas reuniões, apontou o aumento de 4 toneladas de ópio "preparado" em Hong Kong, mas preferiu atribuir a culpa à abordagem negligente da China em permitir tais vazamentos para o exterior. O representante da Grã-Bretanha destacou que Hong Kong vinha vendendo ópio a preços irrisórios justamente para prejudicar e arruinar os traficantes ilegais de ópio, acabando assim com a sua rentabilidade—estratégia já implementada em Formosa a ponto de a arrecadação monopolista render "apenas" 4,3% da receita da ilha. Mesmo assim, o ópio persa vendia por menos em Hong Kong. Aliás, o ópio contrabandeado em Hong Kong superava o volume governamental em 500% a 1000%. Tal situação prevalecia em toda a China.
A Hungria, ex-beligerante da guerra de 1914 contra os concorrentes sérvios, havia desenvolvido uma abordagem completamente nova para a extração de entorpecentes do ópio. A exemplo dos moinhos americanos que há décadas transformavam o amido do milho em glicose (açúcar de milho), uma fábrica em Büdszentmihaly vinha, desde 1927, liquidificava papoulas frescas em molho que concentrava todos os alcaloides do ópio! Da mesma forma que os moinhos americanos até hoje não divulgam detalhes de seus métodos, os astutos húngaros também se esquivaram de todas as perguntas sem oferecer informações específicas. A existência de plantações de papoula na Hungria surpreendeu o Comitê. As Filipinas, conquistadas, ocupadas e torturadas pelas forças americanas, não responderam às demandas americanas por detalhes. A Índia Britânica, outro "fardo do homem branco", adotou a tática inversa. Os relatórios indianos diluíram todos os dados relevantes em oceanos de prolixidade, frustrando assim a extração de detalhes aproveitáveis. Assim, enquanto 48 quilos de cocaína supostamente bastariam para 320 milhões de habitantes, mais do que o dobro dessa quantidade foi apreendido pelas autoridades, que—desconsiderando os almanaques indianos — especulavam que 14 vezes essa quantidade certamente teria passado despercebida.
O presidente, impressionado que o cultivo da dormideira na Índia havia diminuído em 40% em 1927, quis saber a que preços comparáveis as culturas substitutas poderiam ser vendidas – e, afinal, a que preço se vendia a droga indiana? O tabaco constava ali como uma das saudáveis e seguras alternativas à dormideira, mas não constavam respostas que permitissem extrair declarações quantitativas. O perspicaz Sr. Sato, do Japão, aproveitou-se da deixa para explicar que dessa mesma forma também não conseguia obter do seu governo fatos concretos para refutar as alegações de que o Japão estaria vazando "drogas perigosas" supostamente interceptadas na Índia. O cavalheiro não insultou o discernimento dos demais integrantes sugerindo que a cocaína seria um "entorpecente", embora usava esse termo quando se tratava dos opiáceos.
Dessas discussões a lição era de que cada nação se preocupava com as importações que desequilibravam a balança comercial ou burlavam as tarifas, diminuindo a receita obtida com a venda governamental dessas mesmas drogas que—vendidas com respaldo da força letal de Estados políticos ávidos por arrecadação—perdiam as associações usuais com adjetivos tipo tráfico, maldade, ameaça, flagelo, escravidão, jugo, abuso, veneno, venalidade, corrupção, perigo, ameaça, crime, risco, vício e, claro, a vulnerabilidade de mulheres e crianças. No entanto, esses mesmos adjetivos valiam naquele exato contra a cerveja fraca e vinho aguado dos EUA. Para que isso não pareça exagero, eis uma seleção de artigos de notícias da semana:
20/01/1929 NYT: China: governos nacional e de Xangai divergem sobre a apreensão de 20.000 onças [568 quilos] de ópio; carga de duas toneladas teria sido desembarcada perto de Ichang. (NYT 20/01/29 III-8:3)
20/01/1929 NYT: WASHINGTON, 19 de janeiro (AP)-- O presidente Coolidge assinou hoje o projeto de lei Porter para o estabelecimento de duas FAZENDAS DE NARCÓTICOS (prisões rurais) nos Estados Unidos para o confinamento e tratamento de prisioneiros federais viciados no uso de drogas que causam dependência. (7 vezes maior que o nº de presos por alcoolismo)
20/01/1929 NYT: BLOQUEIO DE FUNDOS EM 3 BANCOS Juiz Federal Age no Caso de Suposto Sindicato de Rum de Illinois--CHICAGO, 19 de janeiro--O juiz federal George A. Carpenter emitiu hoje ordens de bloqueio de US$ 65.000 mantidos em 4 bancos em La Salle e Peru, Illinois, por Ugo Ferreni, suposto líder de uma quadrilha que opera um sindicato de bebidas alcoólicas na Comarca de La Salle...
20/01/1929 NYT: Três líderes abstencionistas que se opõem à venda de bebidas alcoólicas questionam o Mellon sobre fundo de US$ 25 milhões (8360 kg ouro) para o combate à venda de bebidas alcoólicas. 2 Guerras entre quadrilhas em Chicago deixam 125 mortos em 9 anos. 16
Lei marcial proclamada na Guatemala. 13
Por aí: O Partido Libertário dos EUA acaba de eleger novo presidente, Evan McMahon, que parece não ser infiltrador luterano-nazifascista. Por outro lado, o escolhido como candidato de Iowa ao senado federal é de fato um nacionalsocialista cristão. Thomas Laehn não pode ver mulher senão como reprodutora acorrentada--só que não admite nem menciona isso nos discursos.(link) É sinal do pavor que essa corrente hitlerista tem do partido libertário o fato de copiarem o nosso discurso econômico enquanto mandam a puliça te bater e bater em mulher--aprovando mais leis anti-comércio que para eles são artigo da fé revelada. Do lado republicano, mulher tipo ganhadora da medalha Cruz de Honra(link) do fuhrer está concorrendo com 75% das expectativas sem dinheiro apostado no mesmo estado. Resultado: o partido libertário continua infiltrado por saqueadores totalitários que atacaram depois de ganharmos 4M de votos defendendo direitos da mulher em 2016. É muito mais negócio doar grana para a revista Reason ou apoiar candidatos libertários comprovados nas eleições locais e estaduais. Chupim não é curruíra e sim falsidade ideológica.
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