Após falsificar Convenção própria na Genebra em 1925, os EUA começaram a comprar a Liga das Nações da mesma forma que as empresas fiduciárias compram participações controladoras em sociedades anônimas. Os EUA e o Reino Unido criaram pressão para proibir drogas nada viciantes à base de folhas capazes de competir com o tabaco — e que, diziam as más línguas, ajudavam moreninho a ganhar campeonatos de boxe e resistir a invasores. (agradeço a ajuda o DeepL.com)
A colaboração sino-americana para pressionar o mundo inteiro a praticar a repressão armada teve consequências inesperadas: o colapso da China na anarquia comunista, as Guerras dos Bálcãs e a Primeira Guerra Mundial. Os EUA enviaram Herbert Hoover “para lá” como czar da alimentação e espectador da Primeira Guerra. Australianos e canadenses foram obrigados a contragosto pelo Reino Unido, exportador de narcóticos, a lutar contra a Áustria-Hungria, a Alemanha e seus aliados otomanos, incluindo a Turquia. De repente, os empréstimos bancários dos EUA ficaram expostos quando os russos mataram seu czar proibicionista. Nem por isso os EUA entrariam em guerra contra os aliados cultivadores da dormideira da Alemanha. A Austrália e o Canadá entraram, sofreram perdas terríveis e não ficaram nada satisfeitos. Os EUA eram uma potência “associada”, não integrante dos “Aliados”, nunca em guerra contra a Turquia. A rejeição dos EUA ao Tratado de Versalhes e à Carta da Liga das Nações—ambos contendo o artigo 23º proibicionista inserido por insistência do Reino Unido e dos os EUA—nada ajudou. Por outro lado, os americanos já tinham seu próprio artigo 23º proibicionista injetado em acordos de armistício distintos.
Muito esforço propagandístico foi dedicado a intensificar a proibição de basicamente tudo, exceto o tabaco americano. Mulheres e crianças vitimadas nas guerras do ópio nos Bálcãs foram transformadas em modelos de cartazes para transferir a culpa e a vergonha pós-guerra para os muçulmanos. A Liga das Nações—substituindo a Haia—tornou-se a executora do Partido Republicano das suas crescentes missões proibicionistas cristãs. Para colocar os produtos de papoula na pior perspectiva, as publicações da Liga foram induzidas a associar jornalisticamente a escravidão branca e várias “drogas”, todas elas commodities legais em vastas regiões otomanas e muçulmanas, mencionando-as lado a lado. Isso isentou os EUA e a China da culpa por trazer a guerra a essas regiões. A folha de auditoria supra é apenas a ponta de um grande iceberg financeiro. Esses documentos estão disponíveis ao público em Genebra e em outros Estados-membros da Liga. No entanto, quando foi a última vez que você ouviu falar de ALGUMA dessas questões tabus?
Milhares de páginas de documentos da Liga foram alistadas para encobrir os Estados Unidos com a alvura da benevolência e incitar pavor e ódio por flores e folhas alheias—algumas delas nem tão diferentes do café ou do chá. Essa perseguição, que durou 14 anos, acabou levando a Europa a outra guerra. No entanto, ao longo de todo esse período, os registros da Liga em inglês e francês omitem habilmente as menções a inúmeros tiroteios relacionados à proibição, agressões da Ku Klux Klan, falências bancárias, assassinatos, execuções, guerras entre facções, batalhas navais, corrupção, recursos judiciais e execuções extrajudiciais que faziam a América proibicionista do pós-guerra parecer um manicômio em comparação com a Europa já devastada. Os europeus pelejavam e não conseguiam cobrar reparações de guerra da Alemanha—contudo, se contorciam para não pagar prestações dos empréstimos bélicos contraídos para financiar o que era, no fundo, a cruzada conjunta chinesa e evangélica americana que gerou a guerra que agora exploramos.
Este Ngrama do Google mostra o clamor da mídia de língua inglesa quando resultou a Grande Depressão.
Essas referências alemãs à depressão refletem o pânico “moral” chinês, americano e britânico. Nada disso é acidental, como os registros a seguir mostrarão.
Livros bons e ruins: Fateful Hours--The Collapse of the Weimar Republic, de Volker Ulrich. Este é o segundo livro que leio deste autor, e o tradutor fez um trabalho excepcional. O autor, nem tanto. Se você quer um livro que finja que Hitler não era um socialista cristão e onde praticamente todas as informações vêm de conversas sussurradas entre pessoas que NÃO são banqueiros, industriais ou financistas—um livro que passa em branco a Liga das Nações e o Artigo 23 do Tratado de Versalhes e foge da possibilidade de que a América proibicionista estivesse manipulando a Liga para exportar a histeria do Terror Branco metodista—, este livro é para você. Ao mesmo tempo, reli as partes principais de The Rise and Fall of The Third Reich, de Shirer, e The Origins of the Second World War, de Taylor. Os três livros apresentam defeitos semelhantes. É como se algum tabu tivesse induzido os editores a fazer malabarismos para omitir fatos incômodos, muito parecido com os cães de circo descritos por George Orwell—treinados para dar cambalhotas sem sequer um estalo de chicote. Seria negligente da minha parte não recomendar as análises do economista americano Peter Temin sobre situações de crise e depressão.
Quer saber a causa do Crash de 1929 e da Depressão da década de 1930? Leia.

Para melhorar o seu inglês, nada como a minha polêmica tradução de O Presidente Negro (O Choque das Raças) de Monteiro Lobato: America's Black President 2228. Na Amazon (link)
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